sexta-feira, 5 de junho de 2015

Um parto cheio de amor

Cada momento da vida da gente a gente vive trazendo outros momentos, outras histórias, outras experiências e muitas expectativas, que nem sempre são só as nossas.
O momento do parto é um complexo de sentimentos, expectativas e é cercado de valores que carregamos ao longo da vida.
Quando engravidei do Francisco, estava há um ano e meio sem contraceptivo e aguardávamos a sua chegada há um bom tempo. Descobrimos a gravidez no dia do aniversário do nosso filho mais velho. E foi alí que o João Guilherme começou a dividir a atenção com o mano.
No final dos parabéns, agradeci a presença de todos e contei que a família estava aumentando. Família e amigos reunidos, foi uma gritaria de felicidade.
Começamos tudo de novo, escolha do obstetra, pesquisas de artigos e muito relato de parto. E é por isso que eu considero tão importante fazê-lo, pois me ajudou muito nos dois partos.
O pré-natal foi feito com a Dr. Lucila Nagatta, obstetra do primeiro filho. Fui a uma consulta com a Dr. Rachel Reis,que fez uma pergunta simples, mas que a resposta não é tão simples assim:
"- Como você quer o seu parto?"
Foi ali que relatei o parto do João Guilherme, que foi um parto natural maravilhoso. Mas a gente sempre quer mais perfeição. E o que eu não queria novamente era o estresse da internação (cheguei no expulsivo no hospital e com fortes contrações a internação foi muito demorada). Além disso queria que toda a família estivesse presente, principalmente meu filho mais velho.
Nos grupos de gestantes a gente aprende muito, troca muita experiência e conhece pessoas que fazem toda a diferença na vida da gente.
Foi reclamando do preço para fugir das intervenções desnecessárias nos partos realizados em Brasília que conheci a Enfermeira Obstetra Melissa Martinelli.
E na primeira conversa ela pergunta: "O que vc quer de verdade?! Vá lá no seu interior e me fale. Como você quer o seu parto?"
E minha resposta foi novamente: "eu quero um parto natural, sem estresse e com meu filho acompanhando"
E isto faz toda a diferença no parto: responder a pergunta "Como quero este momento? Como sonho o meu parto?"
Então começamos a falar sobre Parto Domiciliar, pois se encaixava no desenho que eu queria para o parto. A minha primeira opção seria a Casa de Parto São Sebastião e a segunda seria parto hospitalar com a obstetra do primeiro filhote - quem estava acompanhando o pré-natal.
Então, a Melissa veio um dia e me disse: "Sonhei com você parindo lindamente na banqueta de parto no chuveiro." E Eu: "E hoje eu estava no chuveiro e lembrando que fiquei horas na bola de pilates no chuveiro no trabalho de parto do João Guilherme."
Depois, sonhei que o parto tinha sido tranquilo e que tinha pego na cabecinha do Francisco quando estava coroando. Tinha estourado a bolsa e logo nasceu. E que quase que a Melissa e a Elisa (Doula) não chegavam a tempo na minha casa (!!).
Bom,conversei com meu marido e decidimos pelo parto domiciliar. Fizemos uma reunião eu, Edilson, Melissa e Elisa e conversamos sobre as evidências, riscos e benefícios. Estava segura que em casa seria tranquilo e seria "com mais amor".
Dia 14 de abril, terça-feira, fui a obstetra e estava com um centímetro de dilatação. Marquei ecografia pra a semana seguinte, mas Francisco nasceu no sábado. Nesta semana limpei a mesa da minha sala do trabalho, conversei com meu chefe sobre o meu substituto e deixei tudo encaminhado. Dirigi até um dia antes do parto. Eu estava tranquila. Contrações leves e esporádicas começaram a aparecer na quinta-feira.
No final da gestação voltei a fazer massagem e comecei a fazer Yoga. O pilates foi meu companheiro a gestação inteira, duas vezes por semana.
No sábado, dia 18 de abril, tinha massagem às 9h,Yoga às 11h e palestra sobre parto domiciliar às 15h. Acordei às 8h com leves contrações, acabei cancelando a massagem, fui monitorando as contrações e conversando com a Melissa por Whatssap. O tampão saiu mais ou menos neste horário.
Como o Yoga era na minha casa, acabei não cancelando e fazendo a aula. Em uma hora de aula tive umas nove contrações. João Guilherme parecia sentir que o mano estava chegando e fez a aula inteira comigo. Acabou a aula e a EO, a doula e a fotógrafa já estavam querendo vir para o parto.
Eu sentia meu corpo e via que as contrações ainda estavam moderadas, pedi que aguardassem. Acabei não indo à palestra, fiquei com medo de servir de exemplo prático heheh
Eram 16h, fui tomar um banho.
17h mandei uma mensagem para a equipe (Enfermeira Obstetra, doula e fotógrafa): "Se não quiserem perder o show, cheguem logo."
17h30 a Melissa chegou, logo chegou a Elisa e logo a Ana Tereza (fotógrafa estreante no meu parto).
Melissa chegou e fez o toque e estava com 3cm de dilatação. Juro que imaginava já uns 8cm.
Parei de medir o espaçamento das contrações, sentia apenas a intensidade delas, estava muito conectada com o meu filho e com meu corpo. A sensação que tinha é que não tinha espaçamento entre as contrações. Era uma atrás da outra. Em algum momento quis parar para deitar um pouco e não dei conta.
Meu irmão levou meu filho para dar um passeio, minha mãe já estava comigo e meu marido também em casa, preparando a piscina.
No parto do meu primeiro filho a cada contração o corpo pedia pra que eu me abaixasse, acocorasse. No trabalho de parto do Francisco a minha vontade era apenas de rebolar, achei um banquinho (aqueles de balanço de colocar os pés) e foi o melhor companheiro das contrações.
Jogava pra frente e pra trás, e, segundo a Ana Tereza, eu queria só ficar no escuro e sozinha, poucas massagens aceitei, música e conversa sempre me desconcentrava. No cantinho mais tranquilo e silencioso da casa era onde eu me sentia mais conectada ao bebê.
Minha doula disse que a forma com que eu respirava era profunda e concentrada mesmo, que rebolava nas contrações de forma selvagem e de maneira poderosa.
Foi ali no quarto dos meus filhos que fiquei a maior parte do tempo.
De hora em hora a Melissa escutava os batimentos cardíacos do filhote, e, perto das 19h, senti as contrações muito fortes e pedi pra escutar o bebê novamente. Supliquei ao Francisco que descesse mais devagar.
Queria que meu filho mais velho chegasse logo, sentia que a chegada do irmão estava próxima, e a presença do mano era importante. Logo meu irmão trouxe meu filho, mas não quis ficar, voltaria logo depois do nascimento.
Sentia uma sede descomunal.
Senti uma vontade forte de fazer xixi, mas não conseguia sentar e nem fazer de pé.
Em seguida fui pra piscina, a alegria do João Guilherme em nadar em uma piscina montada dentro de casa valeu a compra dela. Mas a conversa de todos devido a temperatura da água e se estava cheia o suficiente ou não foi me desconcentrando e as contrações deram uma trégua. Sai da piscina e voltei pro quarto, ficava de quatro apoios e com os cotovelos apoiadas no banquinho de balanço.
Às 20h a bolsa rompeu. Fui pro chuveiro.
No expulsivo a família toda perto da porta do banheiro, meu filho mais velho curiosíssimo e aguardando o grande momento da chegada do mano.
A Melissa me sugeria sentar na banqueta e eu não conseguia sentar de jeito nenhum.
Um pouco antes de coroar coloquei o dedo no canal e senti a sensação mais maravilhosa deste mundo: a cabecinha do meu pequeno. Sensação única!
Liberou um pouco de mecônio, mas os batimentos cardíacos estavam normais. Foi escutar a palavra mecônio e minha cabeça ficou a milhão, visualizei as malas de emergência e sabia que elas não sairiam de casa.
Às 20h16 Francisco veio ao mundo, no chuveiro, com a mamãe de pé. Dei um grito forte e o pequeno banheiro acolheu toda a equipe e a família para a grande chegada.
Sangrei mais que devia, e, por isso, recebi uma injeção de ocitocina.
Francisco veio perfeito. Apgar 9/10.
Pegar meu filho direto nos braços não tem preço.
Ter minha família toda junto, meu irmão, minha mãe, meu marido, meu filho. Foi lindo. Foi cheio de amor.
Papai e o mano que cortaram o cordão umbilical.
A placenta após minutos doloridos nasceu e teve sua participação apenas para tirarmos foto junto à manta que minhas amigas fizeram no chá de bebê. Tive vontade de plantar, mas a vontade passou...
Ficou um tempão no colo, depois a vovó e a EO fizeram os primeiros exames, "auxiliadas" pelo João Guilherme que estava em volta o tempo todo, encantado e com os olhinhos atentos sem perder um detalhe.
Nos cuidados do bebê não aplicamos o colírio de nitrato de prata e a vitamina K foi injetável.
Papai fez uma janta delícia para todos. Estava em um misto de alegria, nervosismo e ansiedade o tempo todo. No final, brindamos com um champanhe pra fechar com chave de ouro.
Várias coisas gostaria de falar ainda. Mas o mais importante é:
Sentir o corpo é fundamental. O corpo vai dando sinais do que precisamos fazer.
o pós parto é muito punk. Precisamos de apoio de familiares e amigos. E não sei se conseguimos nos preparar para ele como devíamos.
O equilíbrio mental é um desafio no pós parto.
A sutura e a saída da placenta é a parte mais dolorida do parto.
A amamentação, mesmo tendo amamentado meu primeiro filho seis meses exclusivo e até um ano e meio, foi um desafio no início.
Tenho doado leite desde os 20 dias do Francisco, temos muito leite. Fui ao Banco de Leite duas vezes fazer punção para aspirar com agulha quase 200 ml de leite da mama direita.

Parir é transformador!!!
Estou apaixonada cada dia mais pelo meu pequeno.
Meu parto domiciliar foi como sonhei: tranquilo e com minha família acolhendo o novo integrante.

Relato do primeiro parto: http://jeannelina.blogspot.com.br/2010/09/relato-de-um-parto-maravilhoso.html

terça-feira, 2 de junho de 2015

Pelo olhar de uma fotógrafa, de uma amiga, de uma companheira de estrada! *

Ela pariu sorrindo...
Sabe aquela pessoa linda? Que está sempre com um sorriso, com o olhar firme e com uma vaidade quase desnecessária?Jeanne é assim!
Foi na militância que nos conhecemos e passamos a dividir sonhos, ideologias, utopias... dividimos também cervejas, farras, cafés, almoços... mas nunca pensei no quanto seria especial dividir o dia do nascimento do seu filho Francisco.
Fotografar um parto era um desafio que despertava em mim um misto de dúvidas e medos.
Relutei em aceitar o convite até resolver dizer sim, eu topo! (e Jeanne é daquele tipo de pessoa que a gente nunca consegue dizer não).
Daí pra frente passei os dias pesquisando sobre parto domiciliar, estudando fotos sobre o tema e dialogando comigo mesma sobre a experiência que viveria.
Na manhã de sábado (18/04) uma mensagem de whats app me deixou tensa: "acho que Francisco nasce hoje, estou com leves contrações".
Mais tarde outra mensagem que me deixou com frio na barriga: "vem logo".
Sai correndo e quando cheguei encontrei Jeanne serena, sentindo dor, mas serena. Concentrada em seu corpo, em seu filho e irradiando uma coragem, típica dela.
A delicadeza do seu olhar ao me ver me encorajou também e como num passe de mágicas toda tensão e medo foram embora.
Mesmo com toda dor, ele sorria. Um riso de efeito terapêutico, que contagiava todos a sua volta (como a pessoa pari sorrindo e linda?!?). Difícil foi fotografar tanta plenitude!
Dizem que fotógrafo tem que ser meio malabarista e por alguns momentos foi assim que me senti quando Jeanne procurava os cantos mais apertados e escuros do apartamento.
Me apertava entre a parede e o armário do quarto, sentava no chão do corredor, me espremia num pedacinho do banheiro minúsculo em busca do melhor ângulo, da melhor luz... e assim se passaram horas até que um forte grito fez a emoção tomar conta do lugar: era Francisco chegando!
Como não se emocionar? Como conter as lágrimas que teimavam em cair? Fiquei paralizada!
Rejane, mãe da Jeanne, tocou no meu ombro dizendo: fotografa, fotografa...
Despertei de uma quase viagem (acho que fui bem longe mesmo!) e me vi ali fotografando o amor, não era só um parto, era o amor... Um amor que, por mais que já existisse durante a gestação, naquele momento se fez maior, cresceu, renovou forças e contagiou a todos no instante em que Jeanne, Edilson e João Guilherme viram o Francisco pela primeira vez... e isso é uma das coisas mais lindas de se ver!
Gratidão a vocês por ter vivido esse momento lindo...

Muito obrigada por terem me mostrado um jeito novo de ver a vida!


*Relato de Ana Tereza

quinta-feira, 29 de março de 2012

A mulher maravilha


Há quase um ano não escrevo aqui. A gente vai se envolvendo com outras coisas e esquece de conversar com a gente mesmo. Acabei usando muito as redes sociais e, escrevendo em poucos caracteres, dá uma preguiça só de olhar esta tela imensa em branco.

Parece aquela preguiça que a gente tem quando a professora manda fazer uma redação de, no mínimo 25 linhas, na escola.
Mas escrever me faz bem. Mesmo sabendo que podem ter amigos que estejam lendo o que escrevo, parece que quando começo a escrever esqueço que um dia alguém pode ler.

Hoje quando abri esta tela comecei a fazer uma reflexão de como as mulheres tem papéis diferentes e conseguem desempenhar todos eles de maneira "esplendorosa".
Conversando com uma colega minha hoje, falávamos na mulher maravilha. Como conseguimos conciliar interesses de filhos, marido, amigos, chefes, colegas e chegar em casa e ainda dar aquela "brincadinha" gostosa com os pimpolhos e depois dar aquela arrumadinha nos brinquedos dos bagunceiros.

Acho que eu conseguiria escrever um post para cada papel que desempenho.

Hoje na hora do almoço escutei três servidoras do GDF descascando a chefe delas. Fiquei imaginando o que as pessoas da equipe que coordeno e da que eu faço parte podem falar de mim.

No final de tudo uma das mulheres fala: "ela é muito legal, competente, gente boa, mas é só alguém bater de frente com ela que ela mostra o peso do cargo que ela tem!". Não me aguentei e dei uma risada discreta.

Sim!Mas elas queriam o que? que a chefe delas não se colocasse nunca como chefe? Ora, chefe é chefe!Se não se impõe de vez enquando vira zona também. De tudo o que as três reclamavam, pareciam que estavam reclamando mais era da inveja que sentiam. Quase me meti na conversa pra saber quem era A poderosa chefe das três, coordenar aquelas três mosqueteiras não deve ser fácil.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Os Princípios para uma Gestão Sem Lacunas*

o Instituto AMANA-KEY desenvolveu 12 Princípios para a Petrobrás a partir de atividades junto aos funcionários da empresa.
São muito interessantes, pois retratam uma Gestão Sem Lacunas.
Elenco eles aqui:

1) Coloque a vida sempre

2) Esteja sempre no seu melhor eu

3) Busque a perfeição em tudo o que fizer

4) Atue sempre com o foco na verdade

5) Atue com maestria e profissionalismo

6) Seja sempre pró-soluções

7) Compreenda a influência do humano em tudo

8) Assuma a responsabilidade pelo todo

9) Busque a perfeita harmonia da organização como um todo

10) Atue também nos espaços vazios da organização

11) Aja sempre com foco no bem comum

12) Seja consciência em ação

*Desenvolvido pelo Instituto AMANA-KEY

domingo, 8 de maio de 2011

Insultos à memória*


Em Rondônia, há uma pequena cidade chamada Presidente Médici. Este é o mesmo nome de um estádio de futebol em Sergipe.
Os paulistanos que quiserem viajar de carro para Sorocaba conhecerão a rodovia Castello Branco. Aqueles que procurarem uma via sem semáforos para o centro da capital paulista poderão pegar o elevado Costa e Silva.

Há mesmo alguns paulistanos que moram na rua Henning Boilesen: nome de um empresário dinamarquês, radicado no Brasil, que financiava generosamente a Operação Bandeirante e que, em troca, podia assistir e participar de torturas contra presos políticos na ditadura militar.

Há alguns anos, os são-carlenses foram, enfim, privados da vergonha de andar pela rua Sérgio Fleury: nome de um dos torturadores mais conhecidos da história brasileira. Estes são apenas alguns exemplos da maneira aterradora com que o dever de memória é praticado no Brasil.

Se monumentos, cidades e lugares públicos podem receber o nome seja de ditadores que transformaram o Brasil em um Estado ilegal resultante de um golpe de Estado seja de torturadores sádicos é porque muito ainda falta para que a memória social sirva como garantia de que o pior não se repetirá. Sem esta garantia vinda da memória, os crimes do passado continuarão a destruir a substância normativa do presente, a servir de ameaça surda à nossa democracia.

Lembremos como o Brasil foi capaz de legalizar o golpe de Estado em sua Constituição de 1988. Basta lermos o artigo 142, no qual as Forças Armadas são descritas como "garantidoras dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem". Ou seja, basta, digamos, o presidente do Senado pedir a intervenção militar em garantia da lei (mas qual? Sob qual interpretação?) e da ordem (social? Moral? Jurídica?) para legalizar constitucionalmente um golpe militar.

Tudo isso demonstra como ainda não há acordo sobre o que significou nosso passado recente. Por isso, ele teima em não morrer. Um núcleo autoritário e violador dos direitos humanos nunca foi apagado de nosso país. Não é por acaso que somos o único país latino-americano onde o número de casos de tortura em prisões cresceu em relação à ditadura.

O que não deve nos surpreender, já que ninguém foi preso, nenhuma mea-culpa dos militares foi feita, ninguém que colaborou diretamente com a construção de uma máquina de crimes estatais contra a humanidade foi objeto de repulsa social.
Que a criação de uma Comissão da Verdade possa, ao menos, fazer com que o Brasil pare de insultar a memória dos que sofreram nas mãos de um Estado ilegal governado por usurpadores de poder.

Que ninguém mais precise morar em Presidente Médici.


*Vladimir Safatle é colunista da Folha de S. Paulo
Artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 3 de maio de 2011

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Não vá carregada para o parto*




O medo, a insegurança, a falta de auto-confiança, a distância em relação ao corpo são pesos que carregamos para o parto e vão condicioná-lo. Preparar-se para o parto é sobretudo aliviar a carga.

A parteira mexicana Naoli Vinaver diz que carregamos muitas malas conosco para o parto. Não é só a mala com as nossas roupas e as do bebé. São as malas com tudo o que temos por resolver na nossa vida, com tudo aquilo que o que nos amarra. São malas bem pesadas, por vezes. E às vezes são imensas. Durante o trabalho de parto vamos libertando-nos de muitas delas,vamos-nos desamarrando.

Por isso se diz que o parto pode ser transformador. Mas se o peso for excessivo, o parto pode arrastar-se,complicar-se ou até não ter início. Por isso, a enfermeira parteira Lúcia Leite diz que «a preparação para o parto faz-se no coração e na cabeça, trabalhando os medos e a auto-confiança.»

Por isso, o obstetra Ricardo Jones escreve: «Tanto quanto no sexo, existe muito mais no nascimento humano do que o que se pode encontrar no corpo e suas medidas.» Apesar de a obstetrícia ainda não incorporar na sua prática esta evidência científica, a verdade é que se descobriu «uma nova dimensão no nascimento, qual seja, a indissociabilidade das emoções e sentimentos ao lado dos eventos mecânicos já conhecidos.

Ficou evidente que muitas mulheres falhavam em ter seus filhos de uma forma mais natural porque algo além do corpo as impedia.» O medo faz com que as mulheres estejam contraídas e não deixa libertar as hormonas que estimulam as contracções e a dilatação. Isto é assim porque somos mamíferos e a natureza, que sabe o que faz, encontrou esta forma de proteger as nossas crias: elas não nasceriam em ambiente
ameaçador, mas apenas quando a mãe estivesse tranquila e segura.

Tendo em conta estas evidências, vale a pena preparar-se e aliviar alguma da sua carga. Faça-o por si e pelo seu bebé. Um parto com menos intervenção é um parto mais saudável, com menos riscos, que leva a um pós-parto infinitamente mais fácil. O poder de dar à luz o seu bebé está em si. Só tem de descobri-lo. Deixamos-lhe algumas dicas:

- Converse com alguém da sua confiança, fale dos seus medos, mesmo daqueles que parecem mais inconfessáveis, mais patetas, mais simples ou mais complicados.

- Se não tem ninguém com quem falar do mais íntimo do íntimo, dos medos mais inconfessáveis, se lhe custa verbalizar, ouvir-se dizer coisas que ainda nem percebeu muito bem... escreva. Um diário de gravidez é bom, mas é para deixar para a história. Escreva num caderno que seja só seu, onde não sinta os olhares de quem vai ler. Registe sentimentos, medos, inseguranças e estará a libertar-se de um grande
peso. Escrever é uma excelente maneira de deitar cá para fora porque ninguém nos está a ouvir, mas também de organizar as ideias, trabalhar os medos, estruturar as prioridades.

- Participe em listas de discussão sobre parto humanizado.

- Procure uma doula que a poderá acompanhará na gravidez, no parto e no pós-parto dando-lhe apoio emocional, ajudando-a a desfazer muitos dos seus medos.

- Faça uma lista daquilo que quer fazer ou resolver antes de do parto. Não se limite às compras e à preparação do quarto do bebé.

- Pratique ioga ou pilates. Ajuda não só fisicamente, mas também mentalmente, promovendo bem-estar e a união com o bebé.

- Aprenda técnicas de relaxamento ou meditação. Para quem tem altos níveis de ansiedade, estas técnicas são uma excelente forma de encontrar mais tranquilidade e confiança no próprio corpo. Um relaxamento profundo produz ondas cerebrais alfa, diminui a tensão arterial, reduz a tensão muscular, logo reduz também o stress e a
ansiedade.

- Visualização positiva: visualizar o bebé estimula a ligação com ele e acalma os medos.

- Abrande o ritmo perto do final da gestação. Se puder, suspenda o trabalho. Dedique-se a fazer o ninho e relaxar. Passeios à beira-mar e ouvir música são boas actividades para aproveitar o fim do tempo de gestação.


* Da matéria:
http://www.mae.iol.pt/artigo.php?id=1070113&div_id=3627

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Relato de um parto maravilhoso*


Faço aqui meu relato de parto, para troca de experiências, algo que me ajudou muito durante a gestação, trabalho de parto e parto.

Primeiramente, tive uma gestação muito tranquila. Sem problemas de saúde (a única coisa que me incomodava eram as dores nas costas e a gastrite que agravaram), diminui o ritmo de trabalho (que antes era tido como prioridade e tinha um ritmo doido), engordei apenas 7 kg e fazia aula para gestantes com a doula Fátima de Brasília.

Com 38 semanas estava com um estresse por causa da mudança do apartamento, ficamos 20 dias na casa de amigos. Nos mudamos finalmente no dia 23 de agosto (segunda-feira), e eu preocupadíssima, pois de segunda para terça seria virada de lua cheia. hehe

Na terça-feira, 24 de agosto, tive diversas contrações, quando estavam de 5 em 5 minutos com duração de 30 segundos corri pra médica, Dr. Lucila Nagata, que me examinou e disse que ainda não era hora e que quando fosse eu saberia e ai ligaria pra ela.

As noites de terça até sexta tive contrações fortes com espaçamento de 10 minutos de uma para outra. Porém, durante o dia estas contrações se espaçavam mais, me levando a crer que não teria forças pra esperar até quando o João Guilherme resolvesse vir ao mundo. Amanhecia o dia acabada, pois não conseguia dormir.

Quinta-feira, com 39 semanas, fiz uma ecografia, que dizia que o colo ainda estava fechado e que o bebê estava com 3.800kg. De quinta para sexta perdi o tampão.

Sexta-feira, dia 27 de agosto, fui na consulta ao meio-dia e a médica me informou que já estava com 3 cm de dilatação. Sai da consulta e fui passar minhas coisas para minha colega que ficaria no meu lugar, às 16h estava com contrações fortes e vim pra casa, quase vim de metrô, minha mãe que não deixou. Liguei pro meu marido ir me buscar, pois tinha parado de dirigir na terça-feira com medo de ganhar o bebê no trânsito.

Em casa, tomei um banho quente, fiquei na bola rebolando, a cada contração me agachava, ficava de cócoras e de quatro. Com tantas contrações coloquei tudo pra fora, vomitando e tendo diarreia. Às 19h liguei pro meu marido, que tinha ido dar aula, pedindo que voltasse naquele instante pq já estavam fortíssimas as contrações.

Nesta bela Brasília, onde tudo parece de outro mundo, do primeiro mundo, às vezes não passa de uma cidade do interior de Goiás (nada contra as cidades do interior, falo no sentido do improviso que é nossa saúde). O meu plano (Geap) cobre cinco hospitais, visitei todos no último mês para escolher onde teria o bebê, tudo ok! Eu, em pleno trabalho de parto, ligando para os hospitais e surpresa: três deles com a maternidade fechada devido à falta de pediatras e um sem vagas para parturiente, o único que sobrou foi o Daher que não possui UTI neonatal, o que não deixa nenhuma mãe tranquila. Mas foi a nossa opção.

Chegamos no Hospital às 20h45, demoramos para subir para o quarto, quando subimos a médica fez o toque e já estava com 8 cm de dilatação, ela rompeu a bolsa e descemos para a sala de parto.

Parto normalíssimo!!!Sem cortes, sem analgesia. Às 21h55 nasceu meu bebê lindo!!!!!Perfeito!

A cada contração eu pedia pra ele me ajudar no parto. Foi um baita de um parceiro, companheiro. Logo que nasceu veio para meus braços, ficando ali por uma hora. Depois fomos juntos para a sala de recuperação e o pediatra fez todos os procedimentos do meu lado. Logo subimos para o quarto. No sábado a noite já estávamos com alta e em casa.

Estou sangrando um pouco ainda, mas sem dores.

O João Guilherme está super bem. Mamando, dormindo e mamando, dormindo.

Ah!para surpresa nossa ele nasceu com 3.100kg e 50 cm.

Acho que o que ficou de lição é:
- Que o parto normal é dolorido sim, mas é possível e é lindo!!tenho certeza que minha ligação com meu filho será melhor e maior, pois passamos por aquele momento, sabe? aquele momento que não foi de ninguém mais. Só nosso!Claro que o papai e a vovó que assistiam tudo, estava ali desfrutando da felicidade junto, da emoção, daquele momento mágico.
- Que o parto normal é o fisiológico, é o normal. Acho que cesária é um recurso, óbvio!e faria se precisasse, mas não podemos entrar nas falsas indicações, como no meu caso poderia ser a do tamanho (as três últimas ecografias diziam que ele estava com mais de 3kg e eu tenho 53 kg e 1.50 cm, alguns médicos diriam que eu não poderia parir um menino de 3.800kg).
- Que nem sempre podemos confiar nos exames e nos médicos que nos examinam.
- Que na hora do parto precisamos mesmo é escutar o corpo e agir conforme o corpo pede, sabemos fazê-lo.
- Que a partir da descoberta da gravidez a gente precisa mesmo é curtir, é tão bom!

Amei!Amei tudo e estou amando mais ainda o meu filho que é um anjo!

* Relato feito para as listas de discussão que participei durante toda a gestação: partonatural@yahoogrupos.com.br, gestanteshub@googlegroups.com

Símbolos e Passagens*


Existe simbologia em torno de quase tudo que presenciamos, vivemos, somos apresentados em nosso dia-a-dia. A percepção destes símbolos que nos rodeiam são primordiais para o melhor entendimento dos processos e rituais que acontecem a todo momento e nos norteiam frente às barreiras subliminares que desafiam nossa intuição e nos levam a sentir, muito mais que propriamente entender as coisas.

Quando o Arcanjo Gabriel, arauto da “Boa Nova”, apareceu anunciando o aupicioso filho de Deus, que cresceria no imaculado ventre de Nossa Senhora, na passagem da anunciação, presenteou Maria com lírios. A espada contida no centro desta flor enigmática trazia a idéia de uma falo, um instrumento no qual o Espírito Santo seria fecundado simbolicamente naquela que seria a divina concepção.

Com o passar do tempo o lírio tornou-se a representação da fecundidade. Além do poder e simbologia de qualquer concepção, o lírio, sobretudo o do campo, converteu-se em uma forma de aproximação com Deus. Por sua singeleza, profundidade e por florescer de forma livre, o lírio do campo foi associado a representação autêntica do abandono consciente à vontade e aos desígnios Divinos.


Por sua vez, o galanto, que floresce dias antes da chegada da primavera, tem em sua iconografia a mensagem da esperança. O fato de anunciar que o inverno rigoroso dará lugar a campos e vielas floridas, faz com que esta flor precoce seja o elo de ligação entre a provação implacável dos dias frios e sombrios e a estação das cores e aromas primaveris. Ela anuncia, assim como o lírio, que algo que muito esperávamos chegaria de forma quase messiânica.


A chegada radiante de João Guilherme, exatamente no período que antecede a primavera, traz consigo esta mensagem de esperança e o advento de algo que mudará a vida dos que o rodeiam de maneira contudente. Um divisor de águas. Ele chega carregado do amor que une os mundos sensível e inteligível.


Este rebento brota de um ventre irrigado de busca, de curiosidade, em um tempo onde as transformações nos desafiam a cada momento. Em uma era onde a força se converteu em atitude, em que a percepção dos símbolos passaram a ser diferenciais competitivos e norteadores do básico instinto de preservação da especie e até na evolução do processo civilizatório.


Desejo que voce receba esta mensagem como quem recebe um ramalhete de lírios do campo e galantos. Que este afilhado, que nos unirá profunda e definitivamente, seja um ponto de referência, um ritual de passagem, em nossas atitudes perante as coisas, nós mesmos e este universo a qual contribuimos no movimento que nos equilibra e fazem de cada um de nós seres simples e harmônicos. Pequeninos e gigantes.


Um fraterno abraço.

* Sócrates Magno, seu compadre.

domingo, 8 de agosto de 2010

Que cada um colha o que planta!


A minha mãe sempre diz que não vale a pena ficar remoendo coisas que nos magoam. Mas acho que este blog é um espaço para desabafo, um diário on-line que não é diário...
Estamos, eu, meu marido e minha cadelinha, na casa de uma amiga desde quinta-feira passada. As nossas coisas, como roupas, livros, utensílios, etc, estão na casa de outra amigona (só sendo verdadeiras amigas mesmo para tal).

Vendemos o apartamento de um quarto e estamos esperando os trâmites burocráticos para poder mudar para o que compramos de três quartos.

A pessoa que comprou o apartamento - digo pessoa porque acho que não merece ser chamada nem de mulher, até me ofendo sendo da mesma categoria dela - incomodou tanto, mas tanto para entregarmos o apartamento antes do prazo legal que acabamos entregando.

Na época da venda, inventamos de assinar um contrato com prazos menores do que a Lei obriga, pelo simples fato de entregar no prazo que a compradora queria, por acharmos que os prazos do novo apartamento não iriam atrasar e que nesta época já estaríamos no apartamento novo. Os prazos atrasaram, e este ser não foi capaz de ter o mínimo de consideração.

Azucrinou tanto e o estresse foi tanto, que apesar do nosso advogado dizer que não precisaríamos entregar o apartamento até o final do mês, achei que não valia a pena a briga.

Dizem que direito é uma luta de forças. Mas quem quer medir forças em pleno 9 meses de gestação?
Eu quero somente paz e amor nesta fase!

E não vai ser uma dona que diz "a tua gestação não é problema meu, não fui eu quem fiz o filho em ti" que vai me tirar a paciência ou o sossego.

Infelizmente é neste mundo em que vivemos. As pessoas não tem a mínima consideração com ninguém. Se preocupam apenas com os seus problemas e o resto que se f*.

Gostaria que meu filho vivesse num mundo diferente deste. Ao menos ele vai ser criado para fazer a diferença. Ser mais humano, mais solidário, mais gentil.

O gestar já é uma tarefa única e importante para a formação deste novo serzinho. A criação também não deve ser fácil, mas só o fato de ter a oportunidade de ajudar na formação de um bom caráter para que este nosso mundo seja melhor, já é gratificante.

Já pensou se todo mundo fosse filha da p*? Eu já teria desistido deste mundo e não estaria mais aqui para contar esta estória. Ainda bem que na vida da gente passa muita gente boa. E eu só quero que cada um colha o que planta!

Ui! esta se ferrou!!

sábado, 17 de julho de 2010

Gravidez


A gravidez é algo fantástico!

As pessoas conhecidas, amigas e também aquelas que a gente nunca viu na vida, te cumprimentam, sorriem e se alegram quando vêem o barrigão.
Não sei bem o que as pessoas pensam e sentem. Mas acho que não é apenas instinto, no sentido de perpetuação da espécie. É algo mais profundo, mais bonito que isso.
Pessoas que nem mesmo eu sabia que gostavam de mim, abrem um sorriso quando me vêem que chega a ser estranho. Parece que as gestantes tem uma luz, algo que ilumina de fato. Ficamos mais plenas....afinal são duas vidas mesmo.

Mas uma coisa que me chama a atenção são os palpites furados que rondam esta fase iluminada. As pessoas dizem cada coisa que a gente não sabe se ri, retruca ou finge que não ouviu.
São coisas do tipo: "Ah! a barriga redonda é menina, a pontuda é menino!", "tem que falar muito com o nenê. Eu não falava e meu filho teve problema na alfabetização", "menino nasce antes que menina", "não monta o berço antes do tempo porque senão o nenê nasce prematuro", "não come chocolate na gestação, senão teu nenê vai ter cólicas quando nascer".

Gente é tanto absurdo que chega a ser engraçado.

A vida como ela é

Tem horas que a gente pára e pensa o quanto é bom estar vivendo o que estamos vivendo. A vida dá tantas voltas e acontecem coisas que nunca imaginaríamos que poderia acontecer, ou talvez imaginássemos de uma maneira diferente daquela que de fato acontece.
Acabo de voltar do RS, revi amigos e parentes. Abracei amigos que há anos não via, volto pra casa e o aconchego do meu lar é tão bom quanto o da minha mãe. Isto me traz um conforto enorme, pois apesar de morrer de saudades do cantinho que vivi por duas décadas, hoje tenho o meu canto.
A sintonia é tanta neste cantinho de hoje que a Luna, minha cadelinha amada, estava com gravidez psicológica. Vomitando e com as tetinhas cheias de leite, como se esperasse uns bebezinhos para breve.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Lula é eleito o líder mais influente do mundo pela "Time"


Não é à toa que ele foi indicado, não é à toa que podemos bater no peito e dizer: "Este é o MEU presidente."

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito nesta quinta-feira (29) pela revista americana “Time” como o líder mais influente do mundo. Lula encabeça o ranking de 25 nomes e é seguido por J.T Wang, presidente da empresa de computadores pessoais Acer, o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, o presidente americano Barack Obama e Ron Bloom, assessor sênior do secretário do Tesouro dos Estados Unidos.

No perfil escrito pelo cineasta Michael Moore, o programa Fome Zero (praticamente substituído pelo Bolsa Família) é citado como destaque no governo do PT como uma das conquistas para levar o Brasil ao “primeiro mundo”. A história de vida de Lula também é ressaltada por Moore, que chama o presidente brasileiro de “verdadeiro filho da classe trabalhadora da América Latina”.

A revista lembra quando Lula, aos 25 anos, perdeu sua primeira esposa Maria grávida de oito meses pelo fato dos dois não terem acesso a um plano de saúde decente. Ironizando, Moore dá um recado aos bilionários do mundo: “deixem os povos terem bons cuidados de saúde e eles causarão muito menos problemas para vocês”.

A lista mostra os 100 nomes de pessoas mais influentes do mundo em diversas áreas –líderes da esfera pública e privada, heróis, artistas, pensadores, entre outros.

Entre os líderes em destaque também estão a ex- governadora do Alasca e ex-candidata republicana à Vice-Presidência dos EUA, Sarah Palin; o diretor do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn; os primeiros-ministros japonês e palestino, Yukio Hatoyama e Salam Fayyad, e o chefe do Governo da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Abram alas que estou passando


Esta semana estava vindo para o Plano, diria centro, se estivesse em outra cidade, e um mendigo se atravessa na frente do carro. Quase atropelo o homem.
Na velocidade que eu vinha, com certeza os danos seriam grandes se eu tivesse pego o andarilho.
Me assustei. E depois comecei a pensar no desastre que seria se eu tivesse mesmo atropelado o ser.

Ai lembrei de uma conversa que tive com um pedreiro em um ônibus na volta de uma tarde de veraneio no Rio de Janeiro.
Estava eu e minha mãe voltando da Barra da Tijuca, depois de um lindo dia de sol. Depois de horas de descanso, de praia e de sonhos. Pensava eu: "bem que eu poderia ter um apartamento nesta praia". É verdadeiramente uma das praias mais lindas do Rio de Janeiro.

Voltando para casa, senta ao meu lado um garoto mais ou menos da minha idade. Na conversa, que se iniciava sobre a cidade do Rio de Janeiro, ele me contava também um pouco da sua história, da sua profissão, da sua rotina e de seus filhos. Lá pelas tantas me pergunta se eu já tinha subido ao morro, onde ele morava, e se já tinha participado de algum Funk no morro.

Disse que nunca tinha ido e ele começou a me contar como era a aventura.
Contou que faziam grupos e que se digladiavam no meio do funk.
Perguntei se ele não tinha medo de morrer, então ele me responde: "Moça, pobre nasceu pra sofrer ou pra morrer. Às vezes nem é tão ruim morrer, se for viver neste mundo de perdição."
Senti muita mágoa e desilusão na fala dele.
Ai perguntei sobre os seus filhos e ele me disse que a vida melhorou quando teve os filhos. Ao menos agora ele tem algum motivo pra ir trabalhar e para viver. Por mais que os filhos tenham lhe trazido mais responsabilidade e preocupação aos seus 23 anos.

Será que pobre nasceu só pra sofrer ou para morrer? não acredito nisso.
Mas quando vi a face do homem que quase atropelei, ele estampava uma tranquilidade de se espantar. Parecia que tanto fazia se eu atropelasse ele ou não.

Mas talvez ele possa ter pensado: "abram alas que estou passando".

segunda-feira, 15 de março de 2010

A pupila *


Tem uma canção que acho linda e sempre peço para meu amigo Jefferson cantar quando estamos reunidos e ele está nos dando a graça do seu violão. A letra é linda, o arranjo também. Compartilho aqui a letra da música ainda não gravada.

Haverá canção mais bela que orquestra em teus olhos?
Úmida com sons eu te toco
vedo os teus lábios
Como única opção te encho o umbigo
Como réstia de prazer
O falo em gemidos

O cordão por onde alçarás a luz
A cor dá tempero ao cheiro para as narinas
acordar com beijo estalado explodindo no ouvido
recordar de um sonho molhado encontrando um abrigo

os seus cabelos roçam meus tornozelos
minhas coxas e mais o que eu não vejo

Haverá canção mais bela que a pupila dilatada?
Emanada a clara idade de seu próprio sorriso
Haverá canção bela que a pupila entrelaçada?
Emanada a claridade de seu próprio desejo

* Letra de Carlos Odas e Jefferson Sooma

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Multidões sem rostos

É engraçado isso. Antes chegava em qualquer lugar em Santa Maria e cumprimentava uma galera. Hoje não conheço mais ninguém.
Chegamos na festa de reveillon, demos uma volta e fomos embora. Não era a nossa turma.
Sinto que Santa não é mais a minha cidade, é a cidade da minha família, do meu irmão, da minha vó.
Já em Brasília eu me sinto em casa.
Será que mudará quando nos mudarmos para o Rio?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Devorando horizontes*


Sempre fui uma pessoa de transgredir, subverter a ordem, de questionar os axiomas e de querer sempre saber onde as primaveras guardavam suas flores, antes de despontar com seu aroma e cores em nossos dias.

Desde pequeno, sempre quis saber onde o sol dormia antes de chegar radiante iluminando o dia, trazendo a luz e o calor que a natureza necessita para o milagre da vida.

As ondas do mar sempre me intrigaram. Como aquele movimento harmônico e sensual poderia acontecer mesmo durante a noite, sem ninguém para adimira-lo?

O orvalho conseguia me deixar horas pensando em como aquela chuva mágica e pequenina conseguia bordar gotas de luz em cada folha. Cada uma com sua trama e magia.

A metamorfose da lagarta e a borboleta eu nem quero falar. Uma coisa que se transforma em outra totalmente diferente era demais para uma cabecinha tão limitada.

Arco-íris bebendo água em ribeirão era algo de me deixar sem sono. Um facho de luz colorida que levava água de um lado para o outro me fazia imaginar o outro lado saindo água em sete cores.

Vivi angústias, frustrações, buscas infrutíferas, cansaços. Não conseguia perceber e nem entender aquilo que aparecia todos os dias.

Possuía a oportunidade de rever, dissecar, toda esta maravilha espetacular que fazia da minha vida pacata, um palco de intrigantes apresentações. Esta natureza é mágica mesmo, pensava...

Com o tempo, no tempo certo, fui descobrindo que sentir era diferente de entender. Comecei a compreender com o coração, a enxergar com a alma, a tocar com o pensamento...

Passei a me alegrar com os pardais que me visitavam no quintal de minha casa. Eles não precisavam me agradecer, seria um sonho poder conversar com pardais, quando eu colocava comida escondido para eles.

Bastava saber, melhor, sentir, que a atitude de dar a comida era mais importante. Que o agradecimento era apenas uma necessidade minha e não dos pardais.

Comecei a pensar no quanto a natureza era sábia. Ela esclarecia todas as questões que me afligiam sem precisar de cálculos, teses, quadros negros... Bastava sentir, estar aberto ao milagre.

Hoje me sinto muito perto do caminho que revelará o homem que serei para o resto da vida. Aquele que, com ajuda do tempo e do ambiente, vai conduzir a minha vida com a liberdade conquistada através de compreensão e consciência da missão, do ritmo da batida da vida, da solução das esperas, do que nunca vai mudar e de tudo aquilo que podemos contribuir para avançar na luta.

Ah, sim... ía esquecendo. Nunca me contentei com os horizontes. O que se escondia além das montanhas povoava minha mente dia após dia. Devorar horizontes é um dos meus pratos prediletos...

* Sócrates Magno Torres
Consultor e camaçariense
socrates@icooi.org

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Cruzeiro do Sul

"Eu nasci e cresci debaixo das estrelas do Cruzeiro do Sul.
Aonde quer que eu vá, elas me perseguem.
Debaixo do Cruzeiro do Sul, cruz de fulgores, vou vivendo as estações de meu destino.
Não tenho nenhum Deus.
Se tivesse, pediria a ele que não me deixe chegar a morte: ainda não.
Falta muito o que andar.
Existem luas para as quais ainda não lati e sóis nos quais ainda não me incendiei.
Ainda não mergulhei em todos os mares deste mundo, que dizem que são sete, nem em todos os rios do Paraíso, que dizem que são quatro.
Em Montevidéo, existe um menino que explica:
- Eu não quero morrer nunca, porque quero brincar sempre"

Eduardo Galeano

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Um voto à cidadania


Quarta-feira estava escutando a voz do Brasil e escutando o nosso presidente Luiz Inácio Lula da Silva falando sobre o decreto que assinou que cria a Política Nacional para a População em Situação de Rua. Ele estava participando do 7º Natal da Vida e da Cidadania dos Catadores e da População em Situação de Rua em São Paulo. Dizia ele : "Este decreto servirá para garantir a promoção dos direitos humanos, civis, políticos, econômicos e sociais dessa população."

Mais uma vez bato no peito e digo: "este é o Meu presidente."

Neste decreto é criado um comitê interministerial para cuidar da Política Nacional, e o IBGE vai fazer uma pesquisa para saber quantos são e quem são este cidadãos em situação de rua, dando cara ao "problema social". Espero que funcione.

Acaba a notícia e começa outra relatando sobre uma cirurgia de um equipamento eletrônico computadorizado indicado para pessoas com surdez total ou quase total, chamado ouvido biônico.
O aparelho, diziam eles, é implantado cirurgicamente no ouvido do paciente e, através de estímulos elétricos, ocorre a estimulação do nervo da audição. É o recurso mais avançado existente no mundo para o tratamento da surdez e hoje mais de 150.000 pessoas já se beneficiam desta tecnologia. No Brasil, existe um centro cirúrgico que é referência mundial, respeitado e reconhecido internacionalmente. A cirurgia custa em média 45 mil reais, além da cirurgia é preciso acompanhamento psicológico e tratamento de otorrinolaringologia. E no final da notícia dizem: "e é feita pelo SUS todo este tratamento".

Caraca!

Parabéns Brasil!!!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Gentileza gera gentileza e direitos garantidos


Ontem vi uma coisa bonita no metrô.
Aquela placa "Dê lugar à cidadania" nem sempre funciona, mas ontem um velhinho, bem velhinho, entra no metrô e uma moça levanta para ele sentar.
Ele senta e pergunta a um Senhor se ele queria que segurasse suas coisas.
Prontamente estava segurando papéis, bolsas e sacolas de umas três pessoas.

Chegou a ser engraçado.

Então ele diz: "eu gosto de ser útil, quanto mais coisas eu levar, melhor. As pessoas vão mais confortáveis, pois, afinal, quem está sentado sou eu".

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A preguiça que passa e o desabafo que vem


Tem coisas que me irritam profundamente.

Uma é as pessoas não viverem as suas vidas e ficarem perdendo tempo e gastando energias cuidando, falando, criticando e procurando defeitos e coisas erradas na vida da gente.

Outra é a concepção completamente errada em relação à gênero. Na primeira, a raiva vem e passa, porque apresenta as pessoas que não são nossas amigas, mas a segunda não sei se dá raiva, medo ou preguiça. Raiva por esta concepção errada se manifestar, medo por ainda vivermos em uma sociedade machista, em guerra de gênero, perdida e solitária, e preguiça porque às vezes me dá preguiça de tentar mudar algumas coisas que estão tão enraizadas na sociedade e me dá vontade de apenas viver a minha vida e parar com esta história de querer mudar o mundo.

Meu namorado passou no Doutorado na UERJ. Estamos indo morar no Rio de Janeiro.

A coisa mais intrigante são os comentários das pessoas após saberem da novidade.
"mas agora ele vai mudar pra lá?" beleza! esta é uma declaração de quem me conhece e que sabe que não iria mudar minha rota assim por causa de "homem".

"e como vocês vão fazer?" jóia!alguém que conhece a nossa relação e torce de alguma maneira por nós.

"eh mais uma das 9 entre 10 das mulheres que seguem seus maridos" alguém que não conhece a palavra companherismo ou acha que vou para o Rio e ser diferente do que eu sou hoje.

"então tu tem que mudar de discurso, primeiro diz que vai morar no Rio, depois que ele passou no doutorado". Alguém que talvez mude sua estória, ou a sequência dos fatos, para as pessoas verem sua estória como quer que vejam e que tem mais preguiça do que eu para explicá-la.

Bom, eu não nasci em Brasília e mesmo que tivesse nascido eu não quero morrer aqui. Considero Brasília uma cidade maravilhosa para viver e trabalhar, mas acho que nasci sem raízes mesmo. Ou talvez tenha que me acostumar com a frase que um amigo meu me disse uma vez: "tu parece uma mochileira". Na verdade eu sou apenas uma cidadã do mundo.

Moro onde tem trabalho, onde eu seja feliz e onde me sinto em casa, até porque minha família e amigos verdadeiros eu carrego pra onde eu for, é pra isto que existe internet, telefone e avião. Então o vento pode ir levando a gente, desde que sejamos felizes.

Brasília é uma cidade que viveria alguns anos sim, adoro, me sinto em casa, trabalho com o que gosto, tenho amigos pra festa, amigos pra dividir coisas boas e também para aquelas coisas não tão boas. Mas o Rio de Janeiro me encanta e é tudo de bom também, além de eu trocar qualquer cidade para ter o companheiro que tenho hoje do lado.

Sempre tive medo de ficar sozinha, sim, nunca escondi isso. Meus amigos sabem disso, mas sempre fui guerreira. E ser "guerreira" afasta e assusta muita gente.

Hoje eu encontrei um companheiro que realmente é companheiro, que gosta da minha história e que aposta no meu e no nosso futuro.

E que também acredita que ser protagonista da sua própria história pode muito bem ter um companheiro ao lado, trilhando e lutando junto. Às vezes parece que ou se é independente e se impõe na condição de mulher ou se é submissa, que não se pode ser mulher, guerreira e companheira ao mesmo tempo.

Há de existir um equilíbrio. E acho que neste equilíbrio está uma relação saudável de gênero, em que os dois crescem, os dois se apoiam, os dois são felizes.

Achei? Não!!também procuro este equilíbrio e talvez seja uma eterna procura.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Alexandre Padilha

Fui na posse do Alexandre Padilha como Ministro de Relações Institucionais ontem.

Itamaraty lotado, local que foi realizada a cerimônia, apesar do calor o clima estava muito agradável. A equipe, muitos conhecidos e alguns amigos, estavam com um ar de vitória, de conquista.

O mais legal de tudo foi sentir que a equipe toda estava radiante. Ele então, jovem petista, estava de olhos brilhantes e sorriso largo. Não é à toa mesmo, ele é o mais jovem ministro do Governo Lula, 38 anos.

Com um discurso muito informal, até demais diga-se de passagem, dizia: sou um lulista, petista e tenho um honrão em compor este governo.

Bueno, boa sorte, boa luta e sucesso nesta nova empreitada companheiro!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Provérbio Chinês

“Se quiseres fazer planejamento para um ano
PLANTE CEREAIS.
Se quiseres fazer planejamento para trinta anos
PLANTE ÁRVORES.
Se quiseres fazer planejamento para cem anos
ORGANIZE E MOTIVE A ORGANIZAÇÃO DO POVO”.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Democratizar o Brasil: projeto da jovem geração[i]


No próximo dia 12 de agosto, será comemorado o Dia Nacional e Internacional da Juventude. Para além de uma formalidade estabelecida pela Assembléia-Geral das Nações Unidas e pela Constituição Federal (Lei 10.515/02), esta é uma oportunidade de reflexão sobre o Brasil e, mais especificamente, sobre o processo de democratização do país.

Do alto dos meus 27 anos, já me acostumei às análises que tomam a minha geração como ponto de partida para projeções, em sua maioria sombrias e céticas, sobre o futuro da nação. Pesquisadores, analistas, acadêmicos dos mais variados calibres e origens refletem sobre o destino do Brasil a partir do estudo sobre o comportamento, a cultura, as manifestações e manias daqueles que, como eu, se veem enquanto “juventude”.

Se me disse acostumado, peço perdão aos companheiros. Mal acostumado seria a expressão verdadeira. Ora, quase sempre os tais pesquisadores, por despeito, ceticismo, arrogância, saudosismo ou sabe-se lá o quê, chegam à conclusão de que “não tem jeito!”. Essa é uma geração perdida. Desmobilizada, desinteressada, alheia às grandes questões, incapaz de transformar a realidade que a cerca, quiçá, conduzir os rumos do Brasil. O veredicto é sempre esse: no que depender dos jovens de hoje, nosso país aprofundará suas mazelas e perpetuará aquilo que tem de pior. Suas principais características, as más, é claro, serão elevadas à décima potência tamanha a desorganização desta jovem geração.

Bom, em meio a este lamento, quase desabafo, gostaria de dizer que nem tudo são lágrimas.

Há quase dez anos, tenho me dedicado a ser uma exceção àquela suposta regra, junto com milhares de companheiros(as). Militei no movimento estudantil, construí movimento social, integrei e dirigi juventude partidária, participei de gestões públicas e, nestes descaminhos, pude testemunhar um sem número de atividades, mobilizações e manifestações que contradizem, contundentemente, a Tese do Fracasso.

Ao revés. O que pude enxergar é que nosso país não aproveita, não reconhece e não dá oportunidade a uma legião de jovens atores e atrizes que poderiam facilmente, seja pelo seu tamanho populacional, seja pelo seu potencial transformador, protagonizar o processo de mudanças pelo qual o Brasil necessita passar. São jovens negros e negras, indígenas, mulheres, gays, lésbicas, travestis, transexuais, rurais, trabalhadores. É tanta energia, é tanta criatividade, é tanto axé, que fica difícil acreditar naqueles que de nós duvidam. E olha que hoje, ao contrário dos tempos de outrora, as possibilidades de organização e militância se expandiram. Temos jovens no movimento social, estudantil, comunitário, ambiental, nas ONGs, nas associações, na luta pela reforma agrária, na luta sindical, nas redes, nos fóruns, nos blogs e comunidades da internet, no YouTube... Não é possível que não vejam!

Mas, moçada, nesta trajetória também percebi que o enfrentamento com os “adultos”, o embate com os “coroas”, a disputa entre gerações não é única saída possível. Há alternativa e essa alternativa significa diálogo.

É preciso combinar procedimentos, adaptar linguagens e buscar consensos. Precisamos herdar o que da lembrança ainda existe de válido e verdadeiro, e, ao mesmo tempo, atualizar novas estratégias, novas fórmulas. Precisamos ajustar os melhores valores acumulados com as novas esperanças e perspectivas. É preciso combinar tradição e inovação.No lugar da disputa entre gerações, devemos propor o diálogo geracional. E na política isso é fácil, pois a atualização da luta é tão somente terminar um serviço que eles começaram: a democratização do Brasil.

Vejam só. No lugar de apontar, de denunciar as limitações da geração de 68, devemos propor um pacto. A proposta começa necessariamente pelo reconhecimento do papel histórico cumprido pela geração do Lula, do Zé Dirceu e companhia. Precisamos bater palmas para a luta contra a ditadura, o combate ao autoritarismo, a resistência ao estado de exceção e a vitória na redemocratização do Brasil. Precisamos reconhecer que foi essa geração que protagonizou a resistência à ditadura militar, a abertura democrática e a construção de uma alternativa viável de esquerda em um país amplamente marcado pelo elitismo, patrimonialismo, clientelismo e pela subserviência ao império de plantão. Precisamos reconhecer que foram eles, e elas, que elegeram um torneiro mecânico Presidente do Brasil!

O próximo passo, após o reconhecimento, é reivindicar este legado. Ora, precisamos dizer, gritar se necessário, que somos nós os herdeiros desta luta. Somos nós a possibilidade (real) de perpetuação da luta da esquerda, da luta democrática, somos nós os herdeiros legítimos da luta socialista brasileira.

E aí vem o pacto, ou a proposta de pactuação: ao tempo que reconhecemos as históricas vitórias da geração de 68, também reconhecemos que ainda há muito a fazer. E admitimos o bônus e o ônus deste legado. Se o bônus é a reivindicação do legado da esquerda e seu acúmulo histórico, o ônus é a não finalização do processo de democratização do Brasil. A tal redemocratização dos anos 80, por exemplo, restituiu o sufrágio, as eleições diretas, o direito de ir e vir, a liberdade de imprensa, de reunião, de livre associação política, mas não foi capaz de levar a democracia – ou os valores e/ou práticas democráticas – aos grotões de pobreza do país, às periferias urbanas e rurais, às minorias étnicas e raciais, às mulheres, aos jovens. De modo geral, a tal redemocratização serviu a setores da classe média, que inclusive tem vínculos históricos com a esquerda, e à parte minoritária da classe trabalhadora, que puderam voltar a gozar de direitos fundamentais negados pela ditadura. Contudo, em qualquer periferia brasileira é possível notar que o sonho da democracia ainda é algo vago, inatingível. Pois lá, o Estado não chegou. Não chegou saúde, educação, moradia, habitação. Lá a polícia continua em ritmo de ditadura, pois atira sem perguntar, mata em rito sumário, esconde corpos, fuzila, tortura, persegue.

Precisamos, então, atualizar nossa luta. Uma luta que também é deles, mas é muito mais nossa. Até porque, a perspectiva deles hoje é bem curta, e a nossa perspectiva é de cinqüenta, sessenta anos de luta. Acredito que este argumento, de diálogo, de entendimento, de valorização do que foi historicamente construído e de necessidade de atualização e renovação das estratégias é o nosso caminho. O argumento traz consigo uma noção de continuação, de perpetuação da batalha, de herança dos valores tradicionais combinada à atualização dos novos fronts. Tradição e inovação.

No mais, estou muito convencido de que essa é a nossa missão. A construção do outro mundo possível, a disputa pela hegemonia contemporânea, passa necessariamente pela percepção de novos atores sociais, novas expressões da exploração, da exclusão, da opressão e da repressão. A construção do socialismo passa inteiramente pelo aprofundamento da democracia no Brasil. Democracia aqui entendida como algo mais amplo, mais plural do que esta que aí está.

Acredito que esta é a nossa luta. Concluir o que estes caras não conseguiram terminar.


[i] Éden Valadares, 27, foi diretor de Escolas Pagas da UNE (2002), assessor da Frente Parlamentar de Juventude da Câmara Federal (2003-06), secretário estadual de juventude do PT Bahia (2005-07), coordenador do programa de governo Wagner Governador (2006), coordenador da Conferência de Juventude da Bahia (2007), secretário-executivo do Conselho (2009) e atualmente é coordenador de Políticas de Juventude do Governo da Bahia (SERIN).

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Apartamento Novo.

Passei quatro dias encaixotando, carregando, descarregando, desempacotando coisas.
Pronto!!
Estou no apto novo.
Lindo, lindo, lindo!
Pena que meu trajeto casa-trabalho e trabalho-casa de 10 minutos aumentou para uma hora.
Mas as coisas se ajeitam aos poucos.

Me assustei


Esta semana fui na CCBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) a pedido da Irmã Lourdes, obviamente. Peguei o material que tinha para enviar para Santa Maria e na hora de pagar o Sedex a máquina do cartão emperra.

Uma confusão.

Até que a menina resolve abrir a máquina do Master Card e começou a sair um monte de formiga de dentro. Parecia cena de filme de terror.
Mulherada correndo e gritando e as formigas saindo de dentro da caixinha.

A máquina emperrou porque a bobina de papel matou algumas delas.

Ai. Deu medo. Será que viram que faz tempo que não rezo?

Um pouco de tudo.

Faz dias que não escrevo. A correria do dia-a-dia está tremenda que parece que não tenho tempo para isto. Hoje estava pensando.... me faz tão bem escrever neste "diário-virtual" que não posso deixá-lo tanto tempo abandonado.

Hoje poderia escrever sobre várias coisas, como: a minha indignação por não ter um atendente ou pessoa desconhecida que não me chame de Senhora. Há um ano atrás me chamavam de moça, senhorita, menina. Ai. Acho que é o novo corte de cabelo (assim espero e me iludo).

Poderia também escrever sobre a minha indignação com o ginecologista que me atendeu há quinze dias atrás. Estou tentando escolher este especialista aqui em Brasília, já que não posso trazer o que me atendia há dez anos em Santa Maria. O cara (nem vou chamá-lo de médico) foi tão estúpido que nem parecia que estava tratando com uma mulher, com um ser humano. Mandou fazer a bateria de exames (que eu disse que fazia todos os anos) e na outra consulta nem me olhou nos olhos para dizer que estava tudo ok. Pois bem, fui apenas mais uma "cliente", e mais uma que não volta mais naquele consultório inclusive. Fico triste em ver estes "profissionais" da saúde que não sabem lidar com pessoas. O meu ginecologista de Santa Maria era praticamente meu terapeuta.
Preciso além de gineco, achar um dentista, um oftalmo e um clínico geral. Preciso também encontrar uma boa costureira, trocar de sapateiro, já que me mudei novamente. Encontrar uma boa pizzaria em Águas Claras e uma farmácia também. Um posto de gasolina, uma padaria e um mercado. Não. Mercado eu já achei.

Mas acho que não vou falar sobre isso também. Quero relembrar o "alhos com bugalhos" que minha mãe se referiu quando fui a Santa Maria.

Foi tão rápida a minha passada pela cidade que só tive a sexta à noite para reunir com meus amigos e familiares. Na hora que comecei a dizer quem iria ao churrasco ela me disse: "pára mana, tem que separar. Tu faz estas tuas junções 'alhos com bugalhos' e não dá certo!". Dá sim. Sempre gostei de reunir tooodos os meus amigos nas mesmas datas. Gosto que meus amigos sejam amigos dos meus amigos.

No churrasco tinha amigos do colégio, da faculdade, ex-vizinhos, ex-colegas da prefeitura, companheiros de partido, amigos de infância, parentes, afilhado. "Tudo junto e reunido". Dizia um amigo meu: "eu sabia que ia ser um público eclético, que ia ter um punk, um de terno e um skatista e ia estar todo mundo junto."
Não foi tão eclético assim, mas foi muito bom.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Ricardo Ceratti


Estou triste. Muito triste.
Perdi um dos meus melhores amigos.

Conheci quando fazíamos cursinho pré-vestibular no Fóton. Na época matávamos cursinho juntos para tomar chimarrão na praça do shopping.
Desde lá saímos juntos para festas do cursinho, festas da faculdade, boate do DCE, Cinderelas, concentras antes de festas, barzinhos e muitos pontos de cinema.

Foram 10 anos de amizade.

Não é porque faleceu que virou santo. Mas não lembro de nenhum episódio ruim com ele. Parceria mesmo. Amigo mesmo.
Passei várias festas comemorando o Natal e bailes de reveillon com ele.
Depois que vim morar em Brasília não teve uma vez que fui a Santa Maria que não nos encontramos para tomar uma cerveja e colocar em dia os acontecimentos de nossas vidas.

Eu o chamava de vassourinha. Pois, pegava todas as colegas e amigas.
Lembro uma vez nós no Shopping, estávamos entre 7 meninas e o Ricardo, ele levanta da mesa para ir ao banheiro e começamos a nos olhar. Rimos, pois ele já tinha ficado com todas nós. Ele tinha um dom: Ficava, namorava com as garotas e depois continuava amigo. Amigo de ser parceiro de sair para beber e “caçar”juntos.

Uma vez ele no quartel, o comandante pergunta pra ele o que era a marca vermelha no pescoço dele. E ele fala bem forte e alto: “sucção labial, senhor!”. Os colegas não se agüentaram e riram muito.
Nas festas ele bebia tanto que chegava uma hora que ele não conseguia mais focar a gente nos olhos.
Era uma pessoa divertidíssima.

Minha mãe falou que talvez tenha chego a hora dele. Que ele já deve ter cumprido a sua missão aqui conosco. Mas eu não acredito nisto. Não acredito mesmo.
Ainda estou em choque. Depois do meu avô não tinha perdido ninguém próximo.
O Ricardo era meu irmão, meu parceiro, meu amigo.
Chorei, chorei muito este final de semana. Mas saí. Saí e bebi muito por ti. É assim que lembro de ti. Festiando, brincando, rindo, bebendo, fumando.

Como pode um cara gente boa como tu, ter tido uma morte tão estúpida. Como pode meu amigo, ter ido embora sem nem mesmo me ver casar, pegar meu filho no colo?? Como pode ter ido sem nem mesmo se despedir?

Quem não gosta de boas notícias?

Esta semana fiz uma coisa que fazia dias que queria fazer: Liguei para falar com meu tio por telefone.
Devido ao a.v.c. ele ainda não fala direito, mas tenho certeza que ele entendeu o que falei pra ele.
Ele sempre incentivou os sobrinhos a correr atrás das conquistas, dizia que não era pra ter medo de ganhar dinheiro, de comprar as coisas. Acho que é o tio mais capitalista que eu tenho. Mas também é o que mais visão de futuro tem.

Deu risada de satisfação quando contei que tinha comprado um carrinho zero. Contei que estava num novo emprego e ele falou algumas coisas que não sei bem o que foi. Mas com certeza algumas dicas que vou querer saber mais adiante.

Aproveitei e falei com o Tiago, meu primo que é excepcional. O Tiago dizia: "prima to com saudades, eu gosto de ti".
Ganhei a semana.
Morro de saudades dos apertões e beijos melados que ele dá.

A tia quando pegou o telefone queria saber o que tinha falado com o tio, pois ele deu risada e um sorriso grande.

Mas quem não gosta de partilhar coisas boas?

Contradições

A vida da gente às vezes é contraditória. Passei a faculdade inteira no movimento estudantil criticando a mercantilização do ensino.
Chego na UNB e pago R$600,00 para fazer três disciplinas como aluna especial do mestrado.
À vista, sem choro e nem vela.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Comentários

Descobri que tenho mais de três leitores assíduos e eventuais...
Que feliz!!!!
Leiam e comentem, por favor!!!!

quinta-feira, 19 de março de 2009

A tumba está em festa*


Antes de falar da vitória de Maurício Funes e da FMLN, é preciso falar da Aliança Republicana Nacionalista, a Arena.
Fundada em 30 de setembro de 1981, Arena é um partido assumida e doutrinariamente de direita, que tem entre seus princípios a luta contra a “penetração ideológica e a agressão permanente do comunismo internacional”.
Arena venceu as eleições presidenciais de março de 1989 e desde então governa El Salvador. Seu candidato às eleições de 15 de março de 2009 era o engenheiro Rodrigo Ávila, ex-chefe da Polícia Nacional Civil, graduado na Academia do FBI e consultor internacional em “segurança pública”.
Arena vive e pensa com parâmetros da Guerra Fria, a tal ponto que tem um vice-presidente encarregado de “assuntos ideológicos” e um hino que proclama: “pátria si, comunismo no”. E para que não restem dúvidas sobre os métodos, lá também se diz que “El Salvador será la tumba donde los rojos terminarán".

Desde 1994, Arena vem disputando as eleições presidenciais contra a Frente Farabundo Martí pela Libertação Nacional, guerrilha que se converteu em partido político após os Acordos de Paz firmados em 1992.
O desempenho da FMLN nas eleições presidenciais foi crescente: em 1994, Ruben Zamora chegou a 26% dos votos; em 1999, Facundo Guardado obteve 29% dos votos; em 2004 Schafk Handal obteve 35% dos votos. Ao mesmo tempo, manteve uma intensa vida partidária, forte atuação parlamentar e nas lutas sociais, bem como sua atividade internacionalista.
Para as eleições de 2009, a FMLN fez um movimento extremamente ousado: decidiu lançar a candidatura de Maurício Funes, conhecido jornalista da CNN. Este gesto, seguido por outros, no terreno programático e na condução da campanha, ajudou a FMLN a ganhar o apoio de setores de centro, inclusive empresários.

Noutro cenário, esta flexibilidade talvez não resultasse na vitória. Mas no ano de 2009, a conjuntura não favorecia a direita. A administração Obama disse formalmente que governaria com quem vencesse as eleições, não repetindo a ingerência aberta e declarada praticada nas disputas anteriores. A crise econômica internacional e a onda de vitórias eleitorais da esquerda latino-americana também enfraqueceram a candidatura da Arena.
Esta conjuntura foi essencial para a derrota da direita, apesar da fortuna gasta nas eleições, apesar da campanha suja (implementada por gente ligada à direita mexicana e chilena) e apesar das fraudes cometidas no processo eleitoral.

Todas as pesquisas eleitorais, desde o início da campanha, indicavam a vitória de Funes. As duas pesquisas de boca-de-urna apontavam uma vantagem pró-FMLN que podia chegar a 8 pontos percentuais. Ao final, a esquerda venceu com 51,2% dos votos ou 68 mil votos de vantagem (de um total de 2.630.137 votantes, 1.349.142 votaram na FMLN e 1.280.995 votaram na Arena).

A diferença não foi maior por vários motivos, entre os quais a fraude, facilitada pelas características peculiares do processo eleitoral salvadorenho. O “padrão eleitoral” é composto por todos os salvadorenhos que tenham o documento unificado de identificação (a nossa carteira de identidade). Neste universo, havia comprovadamente um grande número de documentos falsos, duplicados, de pessoas que já haviam morrido, de pessoas sem domicílio conhecido, de pessoas que residem no exterior. Em segundo lugar, a votação não é feita por local de residência, mas sim por ordem alfabética (no caso, a primeira letra do sobrenome paterno), obrigando deslocamentos da população, num país onde não há transporte público e onde o voto não é obrigatório. Em terceiro lugar, a direita arregimentou eleitores em países vizinhos, a quem foram entregues documentos falsos ou de pessoas ausentes do país. Em quarto lugar, o Tribunal Supremo eleitoral é controlado pela Arena, que indicou 3 de seus 5 integrantes, inclusive o presidente.

Encerrada a votação, a direita demorou algumas horas para reconhecer a derrota. Ao faze-lo, pediu “prudência” e “sabedoria” para a esquerda, alertando que o país estava “dividido ao meio”. Esqueceram de dizer que a polarização foi a tônica da campanha da Arena, que “acusava” Funes de “comunista” e de “chavista”.
Funes não é uma coisa, nem outra. Em seu discurso de campanha, na coletiva em que proclamou a vitória e no pronunciamento que fez na festa popular da vitória, deixou claro que fará um governo de esquerda, mas adequado às condições econômicas e políticas de El Salvador. Nas várias entrevistas concedidas depois da eleição, ele também repeliu com muita tranqüilidade as seguidas tentativas de colocá-lo em conflito com a FMLN.
Como sabemos por experiência própria, os maiores desafios começam agora, especialmente a partir da posse, no dia 1 de junho de 2009.

Mas uma coisa é certa: a tumba dos vermelhos, onde estão milhares de salvadorenhos e combatentes internacionalistas que deram sua vida na luta pelo socialismo em El Salvador, está em festa. Merecida festa.

* Valter Pomar, secretário de relações internacionais do PT.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Anônimo Singular


Eu já fiz parte de uma multidão, já fui um grito completando a vaia, uma voz completando gritos de guerra no movimento estudantil...
Já fui passageiro, caminhante, apenas um número de CPF, de identidade, um número de cartão de crédito, pra alguns uma conta bancária, um nome na chamada da escola ou apenas mais um dos carros no engarrafamento

um nome na fila de espera, uma ficha na fila do banco, outro número qualquer...
um paciente, um cliente,
fui parte da massa, do povo, da galera, compus uma cultura, a minha cultura.

Fui parte do aglomerado em pleno carnaval, integrante da platéia, do público e também do público alvo.
Algumas vezes parte do show e do espetáculo.

Uma risada perdida, uma gargalhada seguida de outra mais gostosa ainda. Também fui um choro, que assistia a um drama.
Fui um sorriso, após um elogio.
Um olhar, um beijo, uma palavra de consolo e ainda uma palavra de amor..

Podemos ser tantas coisas, singulares, ímpares e também anônimos como partes de algo qualquer.

Vida Plena


Estava lendo um livro de Dalai Lama, muito ruim por sinal, mas que me fez pensar quando disse que a “verdadeira natureza das coisas é a impermanência” e que “pensando assim não ficaremos chocados com as mudanças quando elas acontecerem, nem mesmo com a morte, pois a vida é cíclica e impermanente”. Afirma que é certo que vamos morrer, só não sabemos quando, e complemento, nem como.

Eu tenho medo e um certo desconforto quando penso na morte, assim como na solidão.
Não somos preparados para morrer, nem para sermos sós no mundo. Nem parece que a morte é uma coisa natural e que faz parte do ciclo da vida. É que culturalmente pensamos somente na vida, em viver plenamente e rodeados de pessoas que queremos bem.
Eu não gosto de pensar, e nem mesmo de escrever sobre a morte. Me parece assustador, apesar de ser “líquido e certo”.

Em um capítulo do vendedor de sonhos, Augusto Cury lança algumas reflexões interessantes. Como: “o que você gostaria que fosse escrito na placa do seu túmulo, quando morresse?”

Em fases de muita felicidade e que as coisas estão dando muito certas, como a que estou vivendo agora, me dá muito medo de morrer. Numa das minhas idas para a noite do carnaval do Rio pensava exatamente nisso, a gente pode ser tão feliz e com tanta intensidade que não é justo a vida ser interrompida.

É tão bom viver....

Em meu velório não quero choros e nem velas. Quero homenagens. Quero que relatem as coisas que viveram comigo, todas as que lembrarem, não importa se boas ou ruins.

Só não se esqueçam de dizer: ELA GOSTAVA E SABIA VIVER.

terça-feira, 3 de março de 2009

O Rio de Janeiro continua ímpar


O Rio está cada vez mais apaixonante. Praias lindas, homens bonitos (e mulheres também), calor, sol, festa e carnaval.

Após um bloco de carnaval o povo resolve acabar a festa no apartamento de uma das cariocas. Chegamos no apto em Ipanema.
Lindo!!!E curiosamente decorado.
Eis que a garota abre a janela. A vista não era do corcovado, mas sim da favela do Cantagalo.
Imaginem a curiosidade da gaúcha interiorana. Fui direto para janela.

Começamos a beber e começou a brincadeira mais intelectual do carnaval.
Tínhamos que fazer mímica do nome do filme que outro ditava, os outros tinham que adivinhá-lo através dos gestos.
Beleza!

Após vááárias cervejas, vou ao banheiro.
Hilário! Na parede do banheiro, um mural de fotos dos amigos, na frente do vaso sanitário um armário antigo, com porta-retratos de fotos da família, uma cesta de chinelos havaiana e outra de livros.

2 horas da manhã: funk na favela!!!!
Vou a janela e vejo nitidamente (e sem óculos) três caras com armas na mão.
Nem lembrava que estava no Rio de Janeiro.

Conheci a Edi

Apressada, pra variar estava atrasada, fui à primeira reunião de condomínio.
Assisti àquela baboseira e depois teses e teses sobre possibilidades para o financiamento do apartamento. Pensei: não dão ponto sem nó mesmo!!!

Finalizada a reunião, veio uma ínfima frustração..queria me mudar para o apartamento novo ainda em fevereiro.
Ok, ok! Março ainda é início de ano, mas adoro mudanças em fevereiro.

Comendo as guloseimas do coquetel oferecido pela construtora, olho uma moça supostamente conhecida.
Passou...comecei a pensar no carnaval, pois tinha que planejar algumas coisas para a viagem.

Voltando para casa, a moça me olha e pergunta: “você mora na 306 norte?”
Respondo que sim e começamos a rir.

Minha vizinha de apartamento.
Rimos, pois seremos vizinhas novamente. Mesmo tendo inúmeras opções de apartamentos em Águas Claras.

Antes que pegássemos o metrô precipitei-me e perguntei seu nome.
Maravilha!!Conheço, conversei e fiz amizade com uma vizinha! Querida que só.

Hoje fiz um bolo, se tivesse ficado bom teria levado um pedaço à Edi. Ao menos esta foi a intenção quando comecei a cozinhá-lo.

O outro ângulo das coisas


Fazia dias que não lia um livro verdadeiramente bom.


“O vendedor de Sonhos – O Chamado”
de Augusto Cury
.



Está aí a dica.




Ele fala em ser humano sem fronteiras e mostra quatro princípios:

1) Acima da raça, cultura e nacionalidade. Os seres humanos estão acima das fronteiras e devem posicionar-se com o compromisso vital de proteger a espécie humana e o meio ambiente.
2) Lutar contra toda forma de discriminação e apoiar toda forma de inclusão.
3) Respeitar os diferentes.
4) Promover a interação entre povos de diferentes culturas e crenças.

Roubam-nos a rosa e o perfume


Entro na zebrinha (microônibus de Brasília) e no volante uma mulher bonita, loira, olhos azuis e toda maquiada.
A atenção com os passageiros era de dar inveja a qualquer motorista com décadas de direção.

Um senhor acena para o ônibus, a moça pára e diz: não, senhor!Aqui o seu direito não é garantido.

Perguntei o porquê dele não poder entrar. E ela me diz: a empresa não aceita passe livre. Não temos como controlar quantas pessoas utiliza o transporte gratuitamente, portanto não podemos deixar ninguém embarcar.

É. Ainda não está garantido o direito em todos os espaços e, se deixarmos, aos poucos vão tolhendo os que estão conquistados.