“Se quiseres fazer planejamento para um ano
PLANTE CEREAIS.
Se quiseres fazer planejamento para trinta anos
PLANTE ÁRVORES.
Se quiseres fazer planejamento para cem anos
ORGANIZE E MOTIVE A ORGANIZAÇÃO DO POVO”.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Provérbio Chinês
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Democratizar o Brasil: projeto da jovem geração[i]
No próximo dia 12 de agosto, será comemorado o Dia Nacional e Internacional da Juventude. Para além de uma formalidade estabelecida pela Assembléia-Geral das Nações Unidas e pela Constituição Federal (Lei 10.515/02), esta é uma oportunidade de reflexão sobre o Brasil e, mais especificamente, sobre o processo de democratização do país.
Do alto dos meus 27 anos, já me acostumei às análises que tomam a minha geração como ponto de partida para projeções, em sua maioria sombrias e céticas, sobre o futuro da nação. Pesquisadores, analistas, acadêmicos dos mais variados calibres e origens refletem sobre o destino do Brasil a partir do estudo sobre o comportamento, a cultura, as manifestações e manias daqueles que, como eu, se veem enquanto “juventude”.
Se me disse acostumado, peço perdão aos companheiros. Mal acostumado seria a expressão verdadeira. Ora, quase sempre os tais pesquisadores, por despeito, ceticismo, arrogância, saudosismo ou sabe-se lá o quê, chegam à conclusão de que “não tem jeito!”. Essa é uma geração perdida. Desmobilizada, desinteressada, alheia às grandes questões, incapaz de transformar a realidade que a cerca, quiçá, conduzir os rumos do Brasil. O veredicto é sempre esse: no que depender dos jovens de hoje, nosso país aprofundará suas mazelas e perpetuará aquilo que tem de pior. Suas principais características, as más, é claro, serão elevadas à décima potência tamanha a desorganização desta jovem geração.
Bom, em meio a este lamento, quase desabafo, gostaria de dizer que nem tudo são lágrimas.
Há quase dez anos, tenho me dedicado a ser uma exceção àquela suposta regra, junto com milhares de companheiros(as). Militei no movimento estudantil, construí movimento social, integrei e dirigi juventude partidária, participei de gestões públicas e, nestes descaminhos, pude testemunhar um sem número de atividades, mobilizações e manifestações que contradizem, contundentemente, a Tese do Fracasso.
Ao revés. O que pude enxergar é que nosso país não aproveita, não reconhece e não dá oportunidade a uma legião de jovens atores e atrizes que poderiam facilmente, seja pelo seu tamanho populacional, seja pelo seu potencial transformador, protagonizar o processo de mudanças pelo qual o Brasil necessita passar. São jovens negros e negras, indígenas, mulheres, gays, lésbicas, travestis, transexuais, rurais, trabalhadores. É tanta energia, é tanta criatividade, é tanto axé, que fica difícil acreditar naqueles que de nós duvidam. E olha que hoje, ao contrário dos tempos de outrora, as possibilidades de organização e militância se expandiram. Temos jovens no movimento social, estudantil, comunitário, ambiental, nas ONGs, nas associações, na luta pela reforma agrária, na luta sindical, nas redes, nos fóruns, nos blogs e comunidades da internet, no YouTube... Não é possível que não vejam!
Mas, moçada, nesta trajetória também percebi que o enfrentamento com os “adultos”, o embate com os “coroas”, a disputa entre gerações não é única saída possível. Há alternativa e essa alternativa significa diálogo.
É preciso combinar procedimentos, adaptar linguagens e buscar consensos. Precisamos herdar o que da lembrança ainda existe de válido e verdadeiro, e, ao mesmo tempo, atualizar novas estratégias, novas fórmulas. Precisamos ajustar os melhores valores acumulados com as novas esperanças e perspectivas. É preciso combinar tradição e inovação.No lugar da disputa entre gerações, devemos propor o diálogo geracional. E na política isso é fácil, pois a atualização da luta é tão somente terminar um serviço que eles começaram: a democratização do Brasil.
Vejam só. No lugar de apontar, de denunciar as limitações da geração de 68, devemos propor um pacto. A proposta começa necessariamente pelo reconhecimento do papel histórico cumprido pela geração do Lula, do Zé Dirceu e companhia. Precisamos bater palmas para a luta contra a ditadura, o combate ao autoritarismo, a resistência ao estado de exceção e a vitória na redemocratização do Brasil. Precisamos reconhecer que foi essa geração que protagonizou a resistência à ditadura militar, a abertura democrática e a construção de uma alternativa viável de esquerda em um país amplamente marcado pelo elitismo, patrimonialismo, clientelismo e pela subserviência ao império de plantão. Precisamos reconhecer que foram eles, e elas, que elegeram um torneiro mecânico Presidente do Brasil!
O próximo passo, após o reconhecimento, é reivindicar este legado. Ora, precisamos dizer, gritar se necessário, que somos nós os herdeiros desta luta. Somos nós a possibilidade (real) de perpetuação da luta da esquerda, da luta democrática, somos nós os herdeiros legítimos da luta socialista brasileira.
E aí vem o pacto, ou a proposta de pactuação: ao tempo que reconhecemos as históricas vitórias da geração de 68, também reconhecemos que ainda há muito a fazer. E admitimos o bônus e o ônus deste legado. Se o bônus é a reivindicação do legado da esquerda e seu acúmulo histórico, o ônus é a não finalização do processo de democratização do Brasil. A tal redemocratização dos anos 80, por exemplo, restituiu o sufrágio, as eleições diretas, o direito de ir e vir, a liberdade de imprensa, de reunião, de livre associação política, mas não foi capaz de levar a democracia – ou os valores e/ou práticas democráticas – aos grotões de pobreza do país, às periferias urbanas e rurais, às minorias étnicas e raciais, às mulheres, aos jovens. De modo geral, a tal redemocratização serviu a setores da classe média, que inclusive tem vínculos históricos com a esquerda, e à parte minoritária da classe trabalhadora, que puderam voltar a gozar de direitos fundamentais negados pela ditadura. Contudo, em qualquer periferia brasileira é possível notar que o sonho da democracia ainda é algo vago, inatingível. Pois lá, o Estado não chegou. Não chegou saúde, educação, moradia, habitação. Lá a polícia continua em ritmo de ditadura, pois atira sem perguntar, mata em rito sumário, esconde corpos, fuzila, tortura, persegue.
Precisamos, então, atualizar nossa luta. Uma luta que também é deles, mas é muito mais nossa. Até porque, a perspectiva deles hoje é bem curta, e a nossa perspectiva é de cinqüenta, sessenta anos de luta. Acredito que este argumento, de diálogo, de entendimento, de valorização do que foi historicamente construído e de necessidade de atualização e renovação das estratégias é o nosso caminho. O argumento traz consigo uma noção de continuação, de perpetuação da batalha, de herança dos valores tradicionais combinada à atualização dos novos fronts. Tradição e inovação.
No mais, estou muito convencido de que essa é a nossa missão. A construção do outro mundo possível, a disputa pela hegemonia contemporânea, passa necessariamente pela percepção de novos atores sociais, novas expressões da exploração, da exclusão, da opressão e da repressão. A construção do socialismo passa inteiramente pelo aprofundamento da democracia no Brasil. Democracia aqui entendida como algo mais amplo, mais plural do que esta que aí está.
Acredito que esta é a nossa luta. Concluir o que estes caras não conseguiram terminar.
[i] Éden Valadares, 27, foi diretor de Escolas Pagas da UNE (2002), assessor da Frente Parlamentar de Juventude da Câmara Federal (2003-06), secretário estadual de juventude do PT Bahia (2005-07), coordenador do programa de governo Wagner Governador (2006), coordenador da Conferência de Juventude da Bahia (2007), secretário-executivo do Conselho (2009) e atualmente é coordenador de Políticas de Juventude do Governo da Bahia (SERIN).
Do alto dos meus 27 anos, já me acostumei às análises que tomam a minha geração como ponto de partida para projeções, em sua maioria sombrias e céticas, sobre o futuro da nação. Pesquisadores, analistas, acadêmicos dos mais variados calibres e origens refletem sobre o destino do Brasil a partir do estudo sobre o comportamento, a cultura, as manifestações e manias daqueles que, como eu, se veem enquanto “juventude”.
Se me disse acostumado, peço perdão aos companheiros. Mal acostumado seria a expressão verdadeira. Ora, quase sempre os tais pesquisadores, por despeito, ceticismo, arrogância, saudosismo ou sabe-se lá o quê, chegam à conclusão de que “não tem jeito!”. Essa é uma geração perdida. Desmobilizada, desinteressada, alheia às grandes questões, incapaz de transformar a realidade que a cerca, quiçá, conduzir os rumos do Brasil. O veredicto é sempre esse: no que depender dos jovens de hoje, nosso país aprofundará suas mazelas e perpetuará aquilo que tem de pior. Suas principais características, as más, é claro, serão elevadas à décima potência tamanha a desorganização desta jovem geração.
Bom, em meio a este lamento, quase desabafo, gostaria de dizer que nem tudo são lágrimas.
Há quase dez anos, tenho me dedicado a ser uma exceção àquela suposta regra, junto com milhares de companheiros(as). Militei no movimento estudantil, construí movimento social, integrei e dirigi juventude partidária, participei de gestões públicas e, nestes descaminhos, pude testemunhar um sem número de atividades, mobilizações e manifestações que contradizem, contundentemente, a Tese do Fracasso.
Ao revés. O que pude enxergar é que nosso país não aproveita, não reconhece e não dá oportunidade a uma legião de jovens atores e atrizes que poderiam facilmente, seja pelo seu tamanho populacional, seja pelo seu potencial transformador, protagonizar o processo de mudanças pelo qual o Brasil necessita passar. São jovens negros e negras, indígenas, mulheres, gays, lésbicas, travestis, transexuais, rurais, trabalhadores. É tanta energia, é tanta criatividade, é tanto axé, que fica difícil acreditar naqueles que de nós duvidam. E olha que hoje, ao contrário dos tempos de outrora, as possibilidades de organização e militância se expandiram. Temos jovens no movimento social, estudantil, comunitário, ambiental, nas ONGs, nas associações, na luta pela reforma agrária, na luta sindical, nas redes, nos fóruns, nos blogs e comunidades da internet, no YouTube... Não é possível que não vejam!
Mas, moçada, nesta trajetória também percebi que o enfrentamento com os “adultos”, o embate com os “coroas”, a disputa entre gerações não é única saída possível. Há alternativa e essa alternativa significa diálogo.
É preciso combinar procedimentos, adaptar linguagens e buscar consensos. Precisamos herdar o que da lembrança ainda existe de válido e verdadeiro, e, ao mesmo tempo, atualizar novas estratégias, novas fórmulas. Precisamos ajustar os melhores valores acumulados com as novas esperanças e perspectivas. É preciso combinar tradição e inovação.No lugar da disputa entre gerações, devemos propor o diálogo geracional. E na política isso é fácil, pois a atualização da luta é tão somente terminar um serviço que eles começaram: a democratização do Brasil.
Vejam só. No lugar de apontar, de denunciar as limitações da geração de 68, devemos propor um pacto. A proposta começa necessariamente pelo reconhecimento do papel histórico cumprido pela geração do Lula, do Zé Dirceu e companhia. Precisamos bater palmas para a luta contra a ditadura, o combate ao autoritarismo, a resistência ao estado de exceção e a vitória na redemocratização do Brasil. Precisamos reconhecer que foi essa geração que protagonizou a resistência à ditadura militar, a abertura democrática e a construção de uma alternativa viável de esquerda em um país amplamente marcado pelo elitismo, patrimonialismo, clientelismo e pela subserviência ao império de plantão. Precisamos reconhecer que foram eles, e elas, que elegeram um torneiro mecânico Presidente do Brasil!
O próximo passo, após o reconhecimento, é reivindicar este legado. Ora, precisamos dizer, gritar se necessário, que somos nós os herdeiros desta luta. Somos nós a possibilidade (real) de perpetuação da luta da esquerda, da luta democrática, somos nós os herdeiros legítimos da luta socialista brasileira.
E aí vem o pacto, ou a proposta de pactuação: ao tempo que reconhecemos as históricas vitórias da geração de 68, também reconhecemos que ainda há muito a fazer. E admitimos o bônus e o ônus deste legado. Se o bônus é a reivindicação do legado da esquerda e seu acúmulo histórico, o ônus é a não finalização do processo de democratização do Brasil. A tal redemocratização dos anos 80, por exemplo, restituiu o sufrágio, as eleições diretas, o direito de ir e vir, a liberdade de imprensa, de reunião, de livre associação política, mas não foi capaz de levar a democracia – ou os valores e/ou práticas democráticas – aos grotões de pobreza do país, às periferias urbanas e rurais, às minorias étnicas e raciais, às mulheres, aos jovens. De modo geral, a tal redemocratização serviu a setores da classe média, que inclusive tem vínculos históricos com a esquerda, e à parte minoritária da classe trabalhadora, que puderam voltar a gozar de direitos fundamentais negados pela ditadura. Contudo, em qualquer periferia brasileira é possível notar que o sonho da democracia ainda é algo vago, inatingível. Pois lá, o Estado não chegou. Não chegou saúde, educação, moradia, habitação. Lá a polícia continua em ritmo de ditadura, pois atira sem perguntar, mata em rito sumário, esconde corpos, fuzila, tortura, persegue.
Precisamos, então, atualizar nossa luta. Uma luta que também é deles, mas é muito mais nossa. Até porque, a perspectiva deles hoje é bem curta, e a nossa perspectiva é de cinqüenta, sessenta anos de luta. Acredito que este argumento, de diálogo, de entendimento, de valorização do que foi historicamente construído e de necessidade de atualização e renovação das estratégias é o nosso caminho. O argumento traz consigo uma noção de continuação, de perpetuação da batalha, de herança dos valores tradicionais combinada à atualização dos novos fronts. Tradição e inovação.
No mais, estou muito convencido de que essa é a nossa missão. A construção do outro mundo possível, a disputa pela hegemonia contemporânea, passa necessariamente pela percepção de novos atores sociais, novas expressões da exploração, da exclusão, da opressão e da repressão. A construção do socialismo passa inteiramente pelo aprofundamento da democracia no Brasil. Democracia aqui entendida como algo mais amplo, mais plural do que esta que aí está.
Acredito que esta é a nossa luta. Concluir o que estes caras não conseguiram terminar.
[i] Éden Valadares, 27, foi diretor de Escolas Pagas da UNE (2002), assessor da Frente Parlamentar de Juventude da Câmara Federal (2003-06), secretário estadual de juventude do PT Bahia (2005-07), coordenador do programa de governo Wagner Governador (2006), coordenador da Conferência de Juventude da Bahia (2007), secretário-executivo do Conselho (2009) e atualmente é coordenador de Políticas de Juventude do Governo da Bahia (SERIN).
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Apartamento Novo.
Passei quatro dias encaixotando, carregando, descarregando, desempacotando coisas.
Pronto!!
Estou no apto novo.
Lindo, lindo, lindo!
Pena que meu trajeto casa-trabalho e trabalho-casa de 10 minutos aumentou para uma hora.
Mas as coisas se ajeitam aos poucos.
Me assustei
Esta semana fui na CCBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) a pedido da Irmã Lourdes, obviamente. Peguei o material que tinha para enviar para Santa Maria e na hora de pagar o Sedex a máquina do cartão emperra.
Uma confusão.
Até que a menina resolve abrir a máquina do Master Card e começou a sair um monte de formiga de dentro. Parecia cena de filme de terror.
Mulherada correndo e gritando e as formigas saindo de dentro da caixinha.
A máquina emperrou porque a bobina de papel matou algumas delas.
Uma confusão.
Até que a menina resolve abrir a máquina do Master Card e começou a sair um monte de formiga de dentro. Parecia cena de filme de terror.
Mulherada correndo e gritando e as formigas saindo de dentro da caixinha.
A máquina emperrou porque a bobina de papel matou algumas delas.
Ai. Deu medo. Será que viram que faz tempo que não rezo?
Um pouco de tudo.
Faz dias que não escrevo. A correria do dia-a-dia está tremenda que parece que não tenho tempo para isto. Hoje estava pensando.... me faz tão bem escrever neste "diário-virtual" que não posso deixá-lo tanto tempo abandonado.Hoje poderia escrever sobre várias coisas, como: a minha indignação por não ter um atendente ou pessoa desconhecida que não me chame de Senhora. Há um ano atrás me chamavam de moça, senhorita, menina. Ai. Acho que é o novo corte de cabelo (assim espero e me iludo).
Poderia também escrever sobre a minha indignação com o ginecologista que me atendeu há quinze dias atrás. Estou tentando escolher este especialista aqui em Brasília, já que não posso trazer o que me atendia há dez anos em Santa Maria. O cara (nem vou chamá-lo de médico) foi tão estúpido que nem parecia que estava tratando com uma mulher, com um ser humano. Mandou fazer a bateria de exames (que eu disse que fazia todos os anos) e na outra consulta nem me olhou nos olhos para dizer que estava tudo ok. Pois bem, fui apenas mais uma "cliente", e mais uma que não volta mais naquele consultório inclusive. Fico triste em ver estes "profissionais" da saúde que não sabem lidar com pessoas. O meu ginecologista de Santa Maria era praticamente meu terapeuta.
Preciso além de gineco, achar um dentista, um oftalmo e um clínico geral. Preciso também encontrar uma boa costureira, trocar de sapateiro, já que me mudei novamente. Encontrar uma boa pizzaria em Águas Claras e uma farmácia também. Um posto de gasolina, uma padaria e um mercado. Não. Mercado eu já achei.
Poderia também escrever sobre a minha indignação com o ginecologista que me atendeu há quinze dias atrás. Estou tentando escolher este especialista aqui em Brasília, já que não posso trazer o que me atendia há dez anos em Santa Maria. O cara (nem vou chamá-lo de médico) foi tão estúpido que nem parecia que estava tratando com uma mulher, com um ser humano. Mandou fazer a bateria de exames (que eu disse que fazia todos os anos) e na outra consulta nem me olhou nos olhos para dizer que estava tudo ok. Pois bem, fui apenas mais uma "cliente", e mais uma que não volta mais naquele consultório inclusive. Fico triste em ver estes "profissionais" da saúde que não sabem lidar com pessoas. O meu ginecologista de Santa Maria era praticamente meu terapeuta.
Preciso além de gineco, achar um dentista, um oftalmo e um clínico geral. Preciso também encontrar uma boa costureira, trocar de sapateiro, já que me mudei novamente. Encontrar uma boa pizzaria em Águas Claras e uma farmácia também. Um posto de gasolina, uma padaria e um mercado. Não. Mercado eu já achei.
Mas acho que não vou falar sobre isso também. Quero relembrar o "alhos com bugalhos" que minha mãe se referiu quando fui a Santa Maria.
Foi tão rápida a minha passada pela cidade que só tive a sexta à noite para reunir com meus amigos e familiares. Na hora que comecei a dizer quem iria ao churrasco ela me disse: "pára mana, tem que separar. Tu faz estas tuas junções 'alhos com bugalhos' e não dá certo!". Dá sim. Sempre gostei de reunir tooodos os meus amigos nas mesmas datas. Gosto que meus amigos sejam amigos dos meus amigos.
No churrasco tinha amigos do colégio, da faculdade, ex-vizinhos, ex-colegas da prefeitura, companheiros de partido, amigos de infância, parentes, afilhado. "Tudo junto e reunido". Dizia um amigo meu: "eu sabia que ia ser um público eclético, que ia ter um punk, um de terno e um skatista e ia estar todo mundo junto."
Não foi tão eclético assim, mas foi muito bom.
Não foi tão eclético assim, mas foi muito bom.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Ricardo Ceratti
Estou triste. Muito triste.
Perdi um dos meus melhores amigos.
Conheci quando fazíamos cursinho pré-vestibular no Fóton. Na época matávamos cursinho juntos para tomar chimarrão na praça do shopping.
Desde lá saímos juntos para festas do cursinho, festas da faculdade, boate do DCE, Cinderelas, concentras antes de festas, barzinhos e muitos pontos de cinema.
Foram 10 anos de amizade.
Não é porque faleceu que virou santo. Mas não lembro de nenhum episódio ruim com ele. Parceria mesmo. Amigo mesmo.
Passei várias festas comemorando o Natal e bailes de reveillon com ele.
Depois que vim morar em Brasília não teve uma vez que fui a Santa Maria que não nos encontramos para tomar uma cerveja e colocar em dia os acontecimentos de nossas vidas.
Eu o chamava de vassourinha. Pois, pegava todas as colegas e amigas.
Lembro uma vez nós no Shopping, estávamos entre 7 meninas e o Ricardo, ele levanta da mesa para ir ao banheiro e começamos a nos olhar. Rimos, pois ele já tinha ficado com todas nós. Ele tinha um dom: Ficava, namorava com as garotas e depois continuava amigo. Amigo de ser parceiro de sair para beber e “caçar”juntos.
Uma vez ele no quartel, o comandante pergunta pra ele o que era a marca vermelha no pescoço dele. E ele fala bem forte e alto: “sucção labial, senhor!”. Os colegas não se agüentaram e riram muito.
Nas festas ele bebia tanto que chegava uma hora que ele não conseguia mais focar a gente nos olhos.
Era uma pessoa divertidíssima.
Minha mãe falou que talvez tenha chego a hora dele. Que ele já deve ter cumprido a sua missão aqui conosco. Mas eu não acredito nisto. Não acredito mesmo.
Ainda estou em choque. Depois do meu avô não tinha perdido ninguém próximo.
O Ricardo era meu irmão, meu parceiro, meu amigo.
Chorei, chorei muito este final de semana. Mas saí. Saí e bebi muito por ti. É assim que lembro de ti. Festiando, brincando, rindo, bebendo, fumando.
Perdi um dos meus melhores amigos.
Conheci quando fazíamos cursinho pré-vestibular no Fóton. Na época matávamos cursinho juntos para tomar chimarrão na praça do shopping.
Desde lá saímos juntos para festas do cursinho, festas da faculdade, boate do DCE, Cinderelas, concentras antes de festas, barzinhos e muitos pontos de cinema.
Foram 10 anos de amizade.
Não é porque faleceu que virou santo. Mas não lembro de nenhum episódio ruim com ele. Parceria mesmo. Amigo mesmo.
Passei várias festas comemorando o Natal e bailes de reveillon com ele.
Depois que vim morar em Brasília não teve uma vez que fui a Santa Maria que não nos encontramos para tomar uma cerveja e colocar em dia os acontecimentos de nossas vidas.
Eu o chamava de vassourinha. Pois, pegava todas as colegas e amigas.
Lembro uma vez nós no Shopping, estávamos entre 7 meninas e o Ricardo, ele levanta da mesa para ir ao banheiro e começamos a nos olhar. Rimos, pois ele já tinha ficado com todas nós. Ele tinha um dom: Ficava, namorava com as garotas e depois continuava amigo. Amigo de ser parceiro de sair para beber e “caçar”juntos.
Uma vez ele no quartel, o comandante pergunta pra ele o que era a marca vermelha no pescoço dele. E ele fala bem forte e alto: “sucção labial, senhor!”. Os colegas não se agüentaram e riram muito.
Nas festas ele bebia tanto que chegava uma hora que ele não conseguia mais focar a gente nos olhos.
Era uma pessoa divertidíssima.
Minha mãe falou que talvez tenha chego a hora dele. Que ele já deve ter cumprido a sua missão aqui conosco. Mas eu não acredito nisto. Não acredito mesmo.
Ainda estou em choque. Depois do meu avô não tinha perdido ninguém próximo.
O Ricardo era meu irmão, meu parceiro, meu amigo.
Chorei, chorei muito este final de semana. Mas saí. Saí e bebi muito por ti. É assim que lembro de ti. Festiando, brincando, rindo, bebendo, fumando.
Como pode um cara gente boa como tu, ter tido uma morte tão estúpida. Como pode meu amigo, ter ido embora sem nem mesmo me ver casar, pegar meu filho no colo?? Como pode ter ido sem nem mesmo se despedir?
Quem não gosta de boas notícias?
Esta semana fiz uma coisa que fazia dias que queria fazer: Liguei para falar com meu tio por telefone.
Devido ao a.v.c. ele ainda não fala direito, mas tenho certeza que ele entendeu o que falei pra ele.
Ele sempre incentivou os sobrinhos a correr atrás das conquistas, dizia que não era pra ter medo de ganhar dinheiro, de comprar as coisas. Acho que é o tio mais capitalista que eu tenho. Mas também é o que mais visão de futuro tem.
Deu risada de satisfação quando contei que tinha comprado um carrinho zero. Contei que estava num novo emprego e ele falou algumas coisas que não sei bem o que foi. Mas com certeza algumas dicas que vou querer saber mais adiante.
Aproveitei e falei com o Tiago, meu primo que é excepcional. O Tiago dizia: "prima to com saudades, eu gosto de ti".
Ganhei a semana.
Morro de saudades dos apertões e beijos melados que ele dá.
A tia quando pegou o telefone queria saber o que tinha falado com o tio, pois ele deu risada e um sorriso grande.
Mas quem não gosta de partilhar coisas boas?
Devido ao a.v.c. ele ainda não fala direito, mas tenho certeza que ele entendeu o que falei pra ele.
Ele sempre incentivou os sobrinhos a correr atrás das conquistas, dizia que não era pra ter medo de ganhar dinheiro, de comprar as coisas. Acho que é o tio mais capitalista que eu tenho. Mas também é o que mais visão de futuro tem.
Deu risada de satisfação quando contei que tinha comprado um carrinho zero. Contei que estava num novo emprego e ele falou algumas coisas que não sei bem o que foi. Mas com certeza algumas dicas que vou querer saber mais adiante.
Aproveitei e falei com o Tiago, meu primo que é excepcional. O Tiago dizia: "prima to com saudades, eu gosto de ti".
Ganhei a semana.
Morro de saudades dos apertões e beijos melados que ele dá.
A tia quando pegou o telefone queria saber o que tinha falado com o tio, pois ele deu risada e um sorriso grande.
Mas quem não gosta de partilhar coisas boas?
Contradições
A vida da gente às vezes é contraditória. Passei a faculdade inteira no movimento estudantil criticando a mercantilização do ensino.
Chego na UNB e pago R$600,00 para fazer três disciplinas como aluna especial do mestrado.
À vista, sem choro e nem vela.
Chego na UNB e pago R$600,00 para fazer três disciplinas como aluna especial do mestrado.
À vista, sem choro e nem vela.
sexta-feira, 27 de março de 2009
Comentários
Descobri que tenho mais de três leitores assíduos e eventuais...
Que feliz!!!!
Leiam e comentem, por favor!!!!
quinta-feira, 19 de março de 2009
A tumba está em festa*
Antes de falar da vitória de Maurício Funes e da FMLN, é preciso falar da Aliança Republicana Nacionalista, a Arena.
Fundada em 30 de setembro de 1981, Arena é um partido assumida e doutrinariamente de direita, que tem entre seus princípios a luta contra a “penetração ideológica e a agressão permanente do comunismo internacional”.
Arena venceu as eleições presidenciais de março de 1989 e desde então governa El Salvador. Seu candidato às eleições de 15 de março de 2009 era o engenheiro Rodrigo Ávila, ex-chefe da Polícia Nacional Civil, graduado na Academia do FBI e consultor internacional em “segurança pública”.
Arena vive e pensa com parâmetros da Guerra Fria, a tal ponto que tem um vice-presidente encarregado de “assuntos ideológicos” e um hino que proclama: “pátria si, comunismo no”. E para que não restem dúvidas sobre os métodos, lá também se diz que “El Salvador será la tumba donde los rojos terminarán".
Desde 1994, Arena vem disputando as eleições presidenciais contra a Frente Farabundo Martí pela Libertação Nacional, guerrilha que se converteu em partido político após os Acordos de Paz firmados em 1992.
O desempenho da FMLN nas eleições presidenciais foi crescente: em 1994, Ruben Zamora chegou a 26% dos votos; em 1999, Facundo Guardado obteve 29% dos votos; em 2004 Schafk Handal obteve 35% dos votos. Ao mesmo tempo, manteve uma intensa vida partidária, forte atuação parlamentar e nas lutas sociais, bem como sua atividade internacionalista.
Para as eleições de 2009, a FMLN fez um movimento extremamente ousado: decidiu lançar a candidatura de Maurício Funes, conhecido jornalista da CNN. Este gesto, seguido por outros, no terreno programático e na condução da campanha, ajudou a FMLN a ganhar o apoio de setores de centro, inclusive empresários.
Noutro cenário, esta flexibilidade talvez não resultasse na vitória. Mas no ano de 2009, a conjuntura não favorecia a direita. A administração Obama disse formalmente que governaria com quem vencesse as eleições, não repetindo a ingerência aberta e declarada praticada nas disputas anteriores. A crise econômica internacional e a onda de vitórias eleitorais da esquerda latino-americana também enfraqueceram a candidatura da Arena.
Esta conjuntura foi essencial para a derrota da direita, apesar da fortuna gasta nas eleições, apesar da campanha suja (implementada por gente ligada à direita mexicana e chilena) e apesar das fraudes cometidas no processo eleitoral.
Todas as pesquisas eleitorais, desde o início da campanha, indicavam a vitória de Funes. As duas pesquisas de boca-de-urna apontavam uma vantagem pró-FMLN que podia chegar a 8 pontos percentuais. Ao final, a esquerda venceu com 51,2% dos votos ou 68 mil votos de vantagem (de um total de 2.630.137 votantes, 1.349.142 votaram na FMLN e 1.280.995 votaram na Arena).
A diferença não foi maior por vários motivos, entre os quais a fraude, facilitada pelas características peculiares do processo eleitoral salvadorenho. O “padrão eleitoral” é composto por todos os salvadorenhos que tenham o documento unificado de identificação (a nossa carteira de identidade). Neste universo, havia comprovadamente um grande número de documentos falsos, duplicados, de pessoas que já haviam morrido, de pessoas sem domicílio conhecido, de pessoas que residem no exterior. Em segundo lugar, a votação não é feita por local de residência, mas sim por ordem alfabética (no caso, a primeira letra do sobrenome paterno), obrigando deslocamentos da população, num país onde não há transporte público e onde o voto não é obrigatório. Em terceiro lugar, a direita arregimentou eleitores em países vizinhos, a quem foram entregues documentos falsos ou de pessoas ausentes do país. Em quarto lugar, o Tribunal Supremo eleitoral é controlado pela Arena, que indicou 3 de seus 5 integrantes, inclusive o presidente.
Encerrada a votação, a direita demorou algumas horas para reconhecer a derrota. Ao faze-lo, pediu “prudência” e “sabedoria” para a esquerda, alertando que o país estava “dividido ao meio”. Esqueceram de dizer que a polarização foi a tônica da campanha da Arena, que “acusava” Funes de “comunista” e de “chavista”.
Funes não é uma coisa, nem outra. Em seu discurso de campanha, na coletiva em que proclamou a vitória e no pronunciamento que fez na festa popular da vitória, deixou claro que fará um governo de esquerda, mas adequado às condições econômicas e políticas de El Salvador. Nas várias entrevistas concedidas depois da eleição, ele também repeliu com muita tranqüilidade as seguidas tentativas de colocá-lo em conflito com a FMLN.
Como sabemos por experiência própria, os maiores desafios começam agora, especialmente a partir da posse, no dia 1 de junho de 2009.
Mas uma coisa é certa: a tumba dos vermelhos, onde estão milhares de salvadorenhos e combatentes internacionalistas que deram sua vida na luta pelo socialismo em El Salvador, está em festa. Merecida festa.
* Valter Pomar, secretário de relações internacionais do PT.
Fundada em 30 de setembro de 1981, Arena é um partido assumida e doutrinariamente de direita, que tem entre seus princípios a luta contra a “penetração ideológica e a agressão permanente do comunismo internacional”.
Arena venceu as eleições presidenciais de março de 1989 e desde então governa El Salvador. Seu candidato às eleições de 15 de março de 2009 era o engenheiro Rodrigo Ávila, ex-chefe da Polícia Nacional Civil, graduado na Academia do FBI e consultor internacional em “segurança pública”.
Arena vive e pensa com parâmetros da Guerra Fria, a tal ponto que tem um vice-presidente encarregado de “assuntos ideológicos” e um hino que proclama: “pátria si, comunismo no”. E para que não restem dúvidas sobre os métodos, lá também se diz que “El Salvador será la tumba donde los rojos terminarán".
Desde 1994, Arena vem disputando as eleições presidenciais contra a Frente Farabundo Martí pela Libertação Nacional, guerrilha que se converteu em partido político após os Acordos de Paz firmados em 1992.
O desempenho da FMLN nas eleições presidenciais foi crescente: em 1994, Ruben Zamora chegou a 26% dos votos; em 1999, Facundo Guardado obteve 29% dos votos; em 2004 Schafk Handal obteve 35% dos votos. Ao mesmo tempo, manteve uma intensa vida partidária, forte atuação parlamentar e nas lutas sociais, bem como sua atividade internacionalista.
Para as eleições de 2009, a FMLN fez um movimento extremamente ousado: decidiu lançar a candidatura de Maurício Funes, conhecido jornalista da CNN. Este gesto, seguido por outros, no terreno programático e na condução da campanha, ajudou a FMLN a ganhar o apoio de setores de centro, inclusive empresários.
Noutro cenário, esta flexibilidade talvez não resultasse na vitória. Mas no ano de 2009, a conjuntura não favorecia a direita. A administração Obama disse formalmente que governaria com quem vencesse as eleições, não repetindo a ingerência aberta e declarada praticada nas disputas anteriores. A crise econômica internacional e a onda de vitórias eleitorais da esquerda latino-americana também enfraqueceram a candidatura da Arena.
Esta conjuntura foi essencial para a derrota da direita, apesar da fortuna gasta nas eleições, apesar da campanha suja (implementada por gente ligada à direita mexicana e chilena) e apesar das fraudes cometidas no processo eleitoral.
Todas as pesquisas eleitorais, desde o início da campanha, indicavam a vitória de Funes. As duas pesquisas de boca-de-urna apontavam uma vantagem pró-FMLN que podia chegar a 8 pontos percentuais. Ao final, a esquerda venceu com 51,2% dos votos ou 68 mil votos de vantagem (de um total de 2.630.137 votantes, 1.349.142 votaram na FMLN e 1.280.995 votaram na Arena).
A diferença não foi maior por vários motivos, entre os quais a fraude, facilitada pelas características peculiares do processo eleitoral salvadorenho. O “padrão eleitoral” é composto por todos os salvadorenhos que tenham o documento unificado de identificação (a nossa carteira de identidade). Neste universo, havia comprovadamente um grande número de documentos falsos, duplicados, de pessoas que já haviam morrido, de pessoas sem domicílio conhecido, de pessoas que residem no exterior. Em segundo lugar, a votação não é feita por local de residência, mas sim por ordem alfabética (no caso, a primeira letra do sobrenome paterno), obrigando deslocamentos da população, num país onde não há transporte público e onde o voto não é obrigatório. Em terceiro lugar, a direita arregimentou eleitores em países vizinhos, a quem foram entregues documentos falsos ou de pessoas ausentes do país. Em quarto lugar, o Tribunal Supremo eleitoral é controlado pela Arena, que indicou 3 de seus 5 integrantes, inclusive o presidente.
Encerrada a votação, a direita demorou algumas horas para reconhecer a derrota. Ao faze-lo, pediu “prudência” e “sabedoria” para a esquerda, alertando que o país estava “dividido ao meio”. Esqueceram de dizer que a polarização foi a tônica da campanha da Arena, que “acusava” Funes de “comunista” e de “chavista”.
Funes não é uma coisa, nem outra. Em seu discurso de campanha, na coletiva em que proclamou a vitória e no pronunciamento que fez na festa popular da vitória, deixou claro que fará um governo de esquerda, mas adequado às condições econômicas e políticas de El Salvador. Nas várias entrevistas concedidas depois da eleição, ele também repeliu com muita tranqüilidade as seguidas tentativas de colocá-lo em conflito com a FMLN.
Como sabemos por experiência própria, os maiores desafios começam agora, especialmente a partir da posse, no dia 1 de junho de 2009.
Mas uma coisa é certa: a tumba dos vermelhos, onde estão milhares de salvadorenhos e combatentes internacionalistas que deram sua vida na luta pelo socialismo em El Salvador, está em festa. Merecida festa.
* Valter Pomar, secretário de relações internacionais do PT.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Anônimo Singular
Eu já fiz parte de uma multidão, já fui um grito completando a vaia, uma voz completando gritos de guerra no movimento estudantil...
Já fui passageiro, caminhante, apenas um número de CPF, de identidade, um número de cartão de crédito, pra alguns uma conta bancária, um nome na chamada da escola ou apenas mais um dos carros no engarrafamento
um nome na fila de espera, uma ficha na fila do banco, outro número qualquer...
um paciente, um cliente,
fui parte da massa, do povo, da galera, compus uma cultura, a minha cultura.
Fui parte do aglomerado em pleno carnaval, integrante da platéia, do público e também do público alvo.
Algumas vezes parte do show e do espetáculo.
Uma risada perdida, uma gargalhada seguida de outra mais gostosa ainda. Também fui um choro, que assistia a um drama.
Fui um sorriso, após um elogio.
Um olhar, um beijo, uma palavra de consolo e ainda uma palavra de amor..
Podemos ser tantas coisas, singulares, ímpares e também anônimos como partes de algo qualquer.
Já fui passageiro, caminhante, apenas um número de CPF, de identidade, um número de cartão de crédito, pra alguns uma conta bancária, um nome na chamada da escola ou apenas mais um dos carros no engarrafamento
um nome na fila de espera, uma ficha na fila do banco, outro número qualquer...
um paciente, um cliente,
fui parte da massa, do povo, da galera, compus uma cultura, a minha cultura.
Fui parte do aglomerado em pleno carnaval, integrante da platéia, do público e também do público alvo.
Algumas vezes parte do show e do espetáculo.
Uma risada perdida, uma gargalhada seguida de outra mais gostosa ainda. Também fui um choro, que assistia a um drama.
Fui um sorriso, após um elogio.
Um olhar, um beijo, uma palavra de consolo e ainda uma palavra de amor..
Podemos ser tantas coisas, singulares, ímpares e também anônimos como partes de algo qualquer.
Vida Plena
Estava lendo um livro de Dalai Lama, muito ruim por sinal, mas que me fez pensar quando disse que a “verdadeira natureza das coisas é a impermanência” e que “pensando assim não ficaremos chocados com as mudanças quando elas acontecerem, nem mesmo com a morte, pois a vida é cíclica e impermanente”. Afirma que é certo que vamos morrer, só não sabemos quando, e complemento, nem como.
Eu tenho medo e um certo desconforto quando penso na morte, assim como na solidão.
Não somos preparados para morrer, nem para sermos sós no mundo. Nem parece que a morte é uma coisa natural e que faz parte do ciclo da vida. É que culturalmente pensamos somente na vida, em viver plenamente e rodeados de pessoas que queremos bem.
Eu não gosto de pensar, e nem mesmo de escrever sobre a morte. Me parece assustador, apesar de ser “líquido e certo”.
Em um capítulo do vendedor de sonhos, Augusto Cury lança algumas reflexões interessantes. Como: “o que você gostaria que fosse escrito na placa do seu túmulo, quando morresse?”
Em fases de muita felicidade e que as coisas estão dando muito certas, como a que estou vivendo agora, me dá muito medo de morrer. Numa das minhas idas para a noite do carnaval do Rio pensava exatamente nisso, a gente pode ser tão feliz e com tanta intensidade que não é justo a vida ser interrompida.
É tão bom viver....
Em meu velório não quero choros e nem velas. Quero homenagens. Quero que relatem as coisas que viveram comigo, todas as que lembrarem, não importa se boas ou ruins.
Só não se esqueçam de dizer: ELA GOSTAVA E SABIA VIVER.
Eu tenho medo e um certo desconforto quando penso na morte, assim como na solidão.
Não somos preparados para morrer, nem para sermos sós no mundo. Nem parece que a morte é uma coisa natural e que faz parte do ciclo da vida. É que culturalmente pensamos somente na vida, em viver plenamente e rodeados de pessoas que queremos bem.
Eu não gosto de pensar, e nem mesmo de escrever sobre a morte. Me parece assustador, apesar de ser “líquido e certo”.
Em um capítulo do vendedor de sonhos, Augusto Cury lança algumas reflexões interessantes. Como: “o que você gostaria que fosse escrito na placa do seu túmulo, quando morresse?”
Em fases de muita felicidade e que as coisas estão dando muito certas, como a que estou vivendo agora, me dá muito medo de morrer. Numa das minhas idas para a noite do carnaval do Rio pensava exatamente nisso, a gente pode ser tão feliz e com tanta intensidade que não é justo a vida ser interrompida.
É tão bom viver....
Em meu velório não quero choros e nem velas. Quero homenagens. Quero que relatem as coisas que viveram comigo, todas as que lembrarem, não importa se boas ou ruins.
Só não se esqueçam de dizer: ELA GOSTAVA E SABIA VIVER.
terça-feira, 3 de março de 2009
O Rio de Janeiro continua ímpar
O Rio está cada vez mais apaixonante. Praias lindas, homens bonitos (e mulheres também), calor, sol, festa e carnaval.
Após um bloco de carnaval o povo resolve acabar a festa no apartamento de uma das cariocas. Chegamos no apto em Ipanema.
Lindo!!!E curiosamente decorado.
Eis que a garota abre a janela. A vista não era do corcovado, mas sim da favela do Cantagalo.
Imaginem a curiosidade da gaúcha interiorana. Fui direto para janela.
Começamos a beber e começou a brincadeira mais intelectual do carnaval.
Tínhamos que fazer mímica do nome do filme que outro ditava, os outros tinham que adivinhá-lo através dos gestos.
Beleza!
Após vááárias cervejas, vou ao banheiro.
Hilário! Na parede do banheiro, um mural de fotos dos amigos, na frente do vaso sanitário um armário antigo, com porta-retratos de fotos da família, uma cesta de chinelos havaiana e outra de livros.
2 horas da manhã: funk na favela!!!!
Vou a janela e vejo nitidamente (e sem óculos) três caras com armas na mão.
Nem lembrava que estava no Rio de Janeiro.
Após um bloco de carnaval o povo resolve acabar a festa no apartamento de uma das cariocas. Chegamos no apto em Ipanema.
Lindo!!!E curiosamente decorado.
Eis que a garota abre a janela. A vista não era do corcovado, mas sim da favela do Cantagalo.
Imaginem a curiosidade da gaúcha interiorana. Fui direto para janela.
Começamos a beber e começou a brincadeira mais intelectual do carnaval.
Tínhamos que fazer mímica do nome do filme que outro ditava, os outros tinham que adivinhá-lo através dos gestos.
Beleza!
Após vááárias cervejas, vou ao banheiro.
Hilário! Na parede do banheiro, um mural de fotos dos amigos, na frente do vaso sanitário um armário antigo, com porta-retratos de fotos da família, uma cesta de chinelos havaiana e outra de livros.
2 horas da manhã: funk na favela!!!!
Vou a janela e vejo nitidamente (e sem óculos) três caras com armas na mão.
Nem lembrava que estava no Rio de Janeiro.
Conheci a Edi
Apressada, pra variar estava atrasada, fui à primeira reunião de condomínio.Assisti àquela baboseira e depois teses e teses sobre possibilidades para o financiamento do apartamento. Pensei: não dão ponto sem nó mesmo!!!
Finalizada a reunião, veio uma ínfima frustração..queria me mudar para o apartamento novo ainda em fevereiro.
Ok, ok! Março ainda é início de ano, mas adoro mudanças em fevereiro.
Comendo as guloseimas do coquetel oferecido pela construtora, olho uma moça supostamente conhecida.
Passou...comecei a pensar no carnaval, pois tinha que planejar algumas coisas para a viagem.
Voltando para casa, a moça me olha e pergunta: “você mora na 306 norte?”
Respondo que sim e começamos a rir.
Minha vizinha de apartamento.
Rimos, pois seremos vizinhas novamente. Mesmo tendo inúmeras opções de apartamentos em Águas Claras.
Antes que pegássemos o metrô precipitei-me e perguntei seu nome.
Maravilha!!Conheço, conversei e fiz amizade com uma vizinha! Querida que só.
Hoje fiz um bolo, se tivesse ficado bom teria levado um pedaço à Edi. Ao menos esta foi a intenção quando comecei a cozinhá-lo.
O outro ângulo das coisas

Fazia dias que não lia um livro verdadeiramente bom.
“O vendedor de Sonhos – O Chamado”
de Augusto Cury.
Está aí a dica.
Ele fala em ser humano sem fronteiras e mostra quatro princípios:
1) Acima da raça, cultura e nacionalidade. Os seres humanos estão acima das fronteiras e devem posicionar-se com o compromisso vital de proteger a espécie humana e o meio ambiente.
2) Lutar contra toda forma de discriminação e apoiar toda forma de inclusão.
3) Respeitar os diferentes.
4) Promover a interação entre povos de diferentes culturas e crenças.
2) Lutar contra toda forma de discriminação e apoiar toda forma de inclusão.
3) Respeitar os diferentes.
4) Promover a interação entre povos de diferentes culturas e crenças.
Roubam-nos a rosa e o perfume
Entro na zebrinha (microônibus de Brasília) e no volante uma mulher bonita, loira, olhos azuis e toda maquiada.
A atenção com os passageiros era de dar inveja a qualquer motorista com décadas de direção.
Um senhor acena para o ônibus, a moça pára e diz: não, senhor!Aqui o seu direito não é garantido.
Perguntei o porquê dele não poder entrar. E ela me diz: a empresa não aceita passe livre. Não temos como controlar quantas pessoas utiliza o transporte gratuitamente, portanto não podemos deixar ninguém embarcar.
É. Ainda não está garantido o direito em todos os espaços e, se deixarmos, aos poucos vão tolhendo os que estão conquistados.
A atenção com os passageiros era de dar inveja a qualquer motorista com décadas de direção.
Um senhor acena para o ônibus, a moça pára e diz: não, senhor!Aqui o seu direito não é garantido.
Perguntei o porquê dele não poder entrar. E ela me diz: a empresa não aceita passe livre. Não temos como controlar quantas pessoas utiliza o transporte gratuitamente, portanto não podemos deixar ninguém embarcar.
É. Ainda não está garantido o direito em todos os espaços e, se deixarmos, aos poucos vão tolhendo os que estão conquistados.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Inclusão até nas brincadeiras
Brasília tem umas coisas out. Participo de certas festas que nunca imaginei ou sonhei em participar. Requintes fora da realidade de uma garota do interior, de família da classe trabalhadora brasileira.Festas na beira do lago, regadas a whisky, champanhe e vinho.
Cerveja? Até tem. Mas as pessoas não tomam muito.
Garçom. Lancha. Espelhos. Sofás. Tapetes. Almofadas. Piscina. Sauna.
E não é motel!É casa!ou melhor Mansão.
Eis que para tirar sarro começamos a tirar fotos na mansão luxuosa.
Começamos a se revesar para tirar fotos sentadas no sofá e com o garçom servindo champanhe na taça de 800 conto.
Grita um: “Agora é a vez do garçom!”.
Pensei: “Claro! Só podia ter petistas na festa”.
Carinho não se apaga
Troquei meu celular e estava apagando as mensagens do celular antigo para doá-lo.
Li, reli, e não consegui apagar todas as mensagens. Mensagens de amigos de longe, de perto.
Revivi várias coisas. Mensagens da minha mãe dizendo que tinham acabado de cantar parabéns para meu irmão, páscoa passada distante, tsunami do pai, decisões sobre o futuro, msg de apoio, de saudades, de ciúmes. Me senti queria, muito querida por meus amigos, pela minha mãe e meus irmãos.
Estes dias estava que nem traça em livros. Limpando tralhas. Parei horas lendo cartas de anos atrás. Pensei em colocar fora, mas elas ainda estão aqui no meu quarto.
Viver de lembranças? Óbvio que não! Quem me conhece sabe que não vivo delas. Mas é tão bom reviver certas coisas.
Por enquanto estão ali! Cartas antigas, poesias recebidas, e-mail’s relidos. Mensagens de amigos que estavam no bar e que diziam “amiga, só falta tu”!
Tudo bem, tudo bem!!! Há quem possa deixar um comentário dizendo: “guria, tu já falou disso várias vezes aqui neste blog”. Mas como não contar novamente se reli umas 5 mensagens iguais hoje e não apaguei nenhuma delas.
Farei mudança mês que vem. Talvez a papelada eu deixe, talvez o celular eu dê. Mas o carinho e as lembranças são eternas.
Obrigada!
Li, reli, e não consegui apagar todas as mensagens. Mensagens de amigos de longe, de perto.
Revivi várias coisas. Mensagens da minha mãe dizendo que tinham acabado de cantar parabéns para meu irmão, páscoa passada distante, tsunami do pai, decisões sobre o futuro, msg de apoio, de saudades, de ciúmes. Me senti queria, muito querida por meus amigos, pela minha mãe e meus irmãos.
Estes dias estava que nem traça em livros. Limpando tralhas. Parei horas lendo cartas de anos atrás. Pensei em colocar fora, mas elas ainda estão aqui no meu quarto.
Viver de lembranças? Óbvio que não! Quem me conhece sabe que não vivo delas. Mas é tão bom reviver certas coisas.
Por enquanto estão ali! Cartas antigas, poesias recebidas, e-mail’s relidos. Mensagens de amigos que estavam no bar e que diziam “amiga, só falta tu”!
Tudo bem, tudo bem!!! Há quem possa deixar um comentário dizendo: “guria, tu já falou disso várias vezes aqui neste blog”. Mas como não contar novamente se reli umas 5 mensagens iguais hoje e não apaguei nenhuma delas.
Farei mudança mês que vem. Talvez a papelada eu deixe, talvez o celular eu dê. Mas o carinho e as lembranças são eternas.
Obrigada!
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Minha casa, nossa casa
Perdi as contas de quantas pessoas já se hospedaram na minha casa. Hoje foi embora a namorada de um amigão meu de Minas. Moro sozinha em Brasília há nove meses e umas trinta pessoas já dormiram na minha casa.Amigos e companheiros de vários estados do Brasil. Pará, Santa Catarina, Ceará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Minas...
É muito gostoso isso. Saber que os amigos podem contar e contam com a gente.
É muito gostoso isso. Saber que os amigos podem contar e contam com a gente.
Que bom!
Quem sabe um dia terei uma casa maior, com pátio, piscina..
aí, sim, terei mais prazer em receber os amigos.
Em Santa Maria fazia muitas festas na casa da minha mãe. Lembro que desde o primeiro grau fazíamos festas de final de ano lá, não sabíamos a data, mas o local era sempre consenso. Sempre gostei de receber os amigos, e é uma coisa de família mesmo, minha mãe é assim também.
Na casa da mãe já se hospedaram pessoas inclusive de outros países como Cuba, Suíça, Argentina, entre outros. Sempre teve as portas abertas para as pessoas queridas.
Em Santa Maria fazia muitas festas na casa da minha mãe. Lembro que desde o primeiro grau fazíamos festas de final de ano lá, não sabíamos a data, mas o local era sempre consenso. Sempre gostei de receber os amigos, e é uma coisa de família mesmo, minha mãe é assim também.
Na casa da mãe já se hospedaram pessoas inclusive de outros países como Cuba, Suíça, Argentina, entre outros. Sempre teve as portas abertas para as pessoas queridas.
Na minha casa agora só falta a churrasqueira, a piscina e um espaço maior para junções.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Univesidade Solidária, Projeto Rondon
Estava olhando as fotos de um amigo que está no Projeto Rondon - Universidade Solidária no interior de Goiás (a foto deste post é dele inclusive).
Só de olhar as fotos já dá saudades daquela experiência que vivi em 2003. Todo universitário deveria ficar isolado em uma comunidade carente do interior do Brasil para saber o que é sociedade, o que é necessidade, precariedade, analfabetismo, carência, pobreza.
Os acadêmicos saem da Universidade sem saber o que é o Brasil. E, muitas vezes, sem ter a clareza do comprometimento e do dever que temos com a sociedade.
Aprendi muito. Ficamos um mês no interior de Pernambuco, sertão nordestino, trabalhando com multiplicadores - agentes de saúde, enfermeiros, agentes jovens, grupo de idosos, comunidade indígena, etc. Troca de experiências riquíssima, aprendizado acadêmico-prático e de vida extraordinários.
Éramos em 11 pessoas na equipe em uma casa com dois quartos e um banheiro apenas. Sem água. Tomávamos banho com duas garrafas Pets. Eu, com cabelo comprido, conseguia tomar banho e lavar os cabelões com 4 litros d´água. Para ir ao banheiro levávamos um balde para jogar no vaso sanitário após utilizá-lo.
Loucura!!!Alguns diziam: "Nunca mais!" (e agora morrem de saudades também). Outros, já diziam desde o início: "melhor experiência de vida que tive".
Eu tirei muitas lições. Com certeza hoje sou muito mais humana, mais solidária, mais socialista.
Apenas por isso? Não! Mas foi o primeiro choque de "realidade" que tive.
Só de olhar as fotos já dá saudades daquela experiência que vivi em 2003. Todo universitário deveria ficar isolado em uma comunidade carente do interior do Brasil para saber o que é sociedade, o que é necessidade, precariedade, analfabetismo, carência, pobreza.
Os acadêmicos saem da Universidade sem saber o que é o Brasil. E, muitas vezes, sem ter a clareza do comprometimento e do dever que temos com a sociedade.
Aprendi muito. Ficamos um mês no interior de Pernambuco, sertão nordestino, trabalhando com multiplicadores - agentes de saúde, enfermeiros, agentes jovens, grupo de idosos, comunidade indígena, etc. Troca de experiências riquíssima, aprendizado acadêmico-prático e de vida extraordinários.
Éramos em 11 pessoas na equipe em uma casa com dois quartos e um banheiro apenas. Sem água. Tomávamos banho com duas garrafas Pets. Eu, com cabelo comprido, conseguia tomar banho e lavar os cabelões com 4 litros d´água. Para ir ao banheiro levávamos um balde para jogar no vaso sanitário após utilizá-lo.
Loucura!!!Alguns diziam: "Nunca mais!" (e agora morrem de saudades também). Outros, já diziam desde o início: "melhor experiência de vida que tive".
Eu tirei muitas lições. Com certeza hoje sou muito mais humana, mais solidária, mais socialista.
Apenas por isso? Não! Mas foi o primeiro choque de "realidade" que tive.
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