terça-feira, 3 de março de 2009

Roubam-nos a rosa e o perfume


Entro na zebrinha (microônibus de Brasília) e no volante uma mulher bonita, loira, olhos azuis e toda maquiada.
A atenção com os passageiros era de dar inveja a qualquer motorista com décadas de direção.

Um senhor acena para o ônibus, a moça pára e diz: não, senhor!Aqui o seu direito não é garantido.

Perguntei o porquê dele não poder entrar. E ela me diz: a empresa não aceita passe livre. Não temos como controlar quantas pessoas utiliza o transporte gratuitamente, portanto não podemos deixar ninguém embarcar.

É. Ainda não está garantido o direito em todos os espaços e, se deixarmos, aos poucos vão tolhendo os que estão conquistados.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Inclusão até nas brincadeiras

Brasília tem umas coisas out. Participo de certas festas que nunca imaginei ou sonhei em participar. Requintes fora da realidade de uma garota do interior, de família da classe trabalhadora brasileira.

Festas na beira do lago, regadas a whisky, champanhe e vinho.
Cerveja? Até tem. Mas as pessoas não tomam muito.
Garçom. Lancha. Espelhos. Sofás. Tapetes. Almofadas. Piscina. Sauna.
E não é motel!É casa!ou melhor Mansão.

Eis que para tirar sarro começamos a tirar fotos na mansão luxuosa.
Começamos a se revesar para tirar fotos sentadas no sofá e com o garçom servindo champanhe na taça de 800 conto.

Grita um: “Agora é a vez do garçom!”.

Pensei: “Claro! Só podia ter petistas na festa”.

Carinho não se apaga


Troquei meu celular e estava apagando as mensagens do celular antigo para doá-lo.
Li, reli, e não consegui apagar todas as mensagens. Mensagens de amigos de longe, de perto.

Revivi várias coisas. Mensagens da minha mãe dizendo que tinham acabado de cantar parabéns para meu irmão, páscoa passada distante, tsunami do pai, decisões sobre o futuro, msg de apoio, de saudades, de ciúmes. Me senti queria, muito querida por meus amigos, pela minha mãe e meus irmãos.

Estes dias estava que nem traça em livros. Limpando tralhas. Parei horas lendo cartas de anos atrás. Pensei em colocar fora, mas elas ainda estão aqui no meu quarto.

Viver de lembranças? Óbvio que não! Quem me conhece sabe que não vivo delas. Mas é tão bom reviver certas coisas.

Por enquanto estão ali! Cartas antigas, poesias recebidas, e-mail’s relidos. Mensagens de amigos que estavam no bar e que diziam “amiga, só falta tu”!

Tudo bem, tudo bem!!! Há quem possa deixar um comentário dizendo: “guria, tu já falou disso várias vezes aqui neste blog”. Mas como não contar novamente se reli umas 5 mensagens iguais hoje e não apaguei nenhuma delas.

Farei mudança mês que vem. Talvez a papelada eu deixe, talvez o celular eu dê. Mas o carinho e as lembranças são eternas.

Obrigada!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Minha casa, nossa casa

Perdi as contas de quantas pessoas já se hospedaram na minha casa. Hoje foi embora a namorada de um amigão meu de Minas. Moro sozinha em Brasília há nove meses e umas trinta pessoas já dormiram na minha casa.

Amigos e companheiros de vários estados do Brasil. Pará, Santa Catarina, Ceará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Minas...

É muito gostoso isso. Saber que os amigos podem contar e contam com a gente.
Que bom!

Quem sabe um dia terei uma casa maior, com pátio, piscina..
aí, sim, terei mais prazer em receber os amigos.

Em Santa Maria fazia muitas festas na casa da minha mãe. Lembro que desde o primeiro grau fazíamos festas de final de ano lá, não sabíamos a data, mas o local era sempre consenso. Sempre gostei de receber os amigos, e é uma coisa de família mesmo, minha mãe é assim também.
Na casa da mãe já se hospedaram pessoas inclusive de outros países como Cuba, Suíça, Argentina, entre outros. Sempre teve as portas abertas para as pessoas queridas.

Na minha casa agora só falta a churrasqueira, a piscina e um espaço maior para junções.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Univesidade Solidária, Projeto Rondon


Estava olhando as fotos de um amigo que está no Projeto Rondon - Universidade Solidária no interior de Goiás (a foto deste post é dele inclusive).

Só de olhar as fotos já dá saudades daquela experiência que vivi em 2003. Todo universitário deveria ficar isolado em uma comunidade carente do interior do Brasil para saber o que é sociedade, o que é necessidade, precariedade, analfabetismo, carência, pobreza.
Os acadêmicos saem da Universidade sem saber o que é o Brasil. E, muitas vezes, sem ter a clareza do comprometimento e do dever que temos com a sociedade.

Aprendi muito. Ficamos um mês no interior de Pernambuco, sertão nordestino, trabalhando com multiplicadores - agentes de saúde, enfermeiros, agentes jovens, grupo de idosos, comunidade indígena, etc. Troca de experiências riquíssima, aprendizado acadêmico-prático e de vida extraordinários.

Éramos em 11 pessoas na equipe em uma casa com dois quartos e um banheiro apenas. Sem água. Tomávamos banho com duas garrafas Pets. Eu, com cabelo comprido, conseguia tomar banho e lavar os cabelões com 4 litros d´água. Para ir ao banheiro levávamos um balde para jogar no vaso sanitário após utilizá-lo.

Loucura!!!Alguns diziam: "Nunca mais!" (e agora morrem de saudades também). Outros, já diziam desde o início: "melhor experiência de vida que tive".

Eu tirei muitas lições. Com certeza hoje sou muito mais humana, mais solidária, mais socialista.

Apenas por isso? Não! Mas foi o primeiro choque de "realidade" que tive.

Tão perto e tão longe. Tão longe e tão perto.


Moro num prédio que possui 20 apartamentos. Chegando em casa ontem, ao abrir a porta do prédio, veio uma senhora me perguntar se eu conhecia a Conceição. "Não, não a conheço", respondi à Senhora.

Subindo as escadas me dei conta que não sabia o nome de nenhum dos meus vizinhos. Pior, estou morando há quase um ano no mesmo prédio e nunca troquei uma frase com nenhum deles (óbvio que quando os encontro no corredor eu cumprimento, mas isto não conta).

É engraçado como posso fazer uma festa numa noite e na manhã seguinte contar para meus amigos que estão a 3 mil Km de distância e não conversar com meus vizinhos que ficam a metros de onde durmo toda a noite.

Lembro que em um dos bailes de formatura da UFSM, um rapaz me tirou para dançar e falou: "Bah! tu nem cumprimenta as pessoas!" e eu: "por que deveria cumprimentar se não te conheço?" . Prontamente ele retrucou: "Mas deveria conhecer, sou teu vizinho, moro no apartamento em frente ao teu".

Isto foi há três anos, no coração do Rio Grande. Mas "acho" que continuo não prestando muito atenção na presença dos vizinhos....

Será que sou eu???Fiquei pasma com minha frieza, individualismo ou qualquer coisa que isto possa ser classificado.

Mas, a correria do dia-a-dia é tamanha que quando chego em casa quero mais é ficar trancada em casa sozinha mesmo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Absurdo! O mundo maldito que vivemos*


Vou fazer um slideshow para você. Está preparado?
É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.

Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem.
Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta.

Gente pobre.
Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens.

No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.

A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo.
Resolver, capicce?
Extinguir.

Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro. Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.

Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.
Não houve documentário, ong, lobby ou pressão que resolvesse.
Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia...

Como uma pessoa comentou, é uma pena que esse texto só esteja em blogs e não na mídia de massa, essa mesma que sabe muito bem dar tapa e afagar.

Se quiser, repasse este texto, se não, o que importa? O nosso almoço já tá garantido mesmo .


Neto, diretor de criação e sócio da Bullet, sobre a crise mundial.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

SAUDADE, é seu dia!

Palavra única do nosso dicionário, talvez a mais bonita delas, pois é mágica, inspiradora.

Sempre digo que é bom sentir saudades. A gente nunca sente saudade de coisa ruim, só de coisas boas. Se sentimos saudades é porque vivemos coisas boas, conhecemos pessoas marcantes.

"A saudade até que é bom, é melhor que caminhar vazio",
já dizia a música do Peninha.


31 de janeiro, dia da saudade.

Namorado e amigos


No baile de formatura do meu primo encontrei um amigo muito querido, fazia mais de dois anos que não o via. Levantei para ir cumprimentá-lo com um sorriso largo no rosto e me tratou como se eu fosse uma mera conhecida.

Voltei meio cabisbaixa para a mesa e minha mãe comentou: "ué?não era teu amigo? achei tão fria a conversa de vocês". Contei que ele estava com a namorada e que ela era ciumenta. Meu tio e minha tia deram razão a ele e ainda acrescentaram: "quando a gente namora ou esta casado não podemos mais ter amigas, ou amigos no caso das mulheres".

Mas eu pergunto: "Por quê???"
Grande bobagem!!!!
Em que século vivem?

Eu solteira, namorando, noiva ou qualquer que seja a minha situação civil trato meus amigos e amigas da mesma forma. Faço festa ao ver amigos de infância com a mesma alegria.
Amigos e amigas não tem sexo. Esta bem..tudo bem! Claro que têm! Mas aí vai do respeito e confiança que o casal tem na relação. Mas não poder conversar com um amigo de mais de dez anos é sacanagem.
Eu tenho amigos, e eles não mudam de "classificação" dependendo do meu estado civil.

Tenho amigas que quando começam a namorar se isolam. Como se só o namorado existisse, vivem pra ele. Acho muito estranho isso e não concordo, ou melhor, quem sou eu pra concordar ou não. Simplesmente eu não faço assim.

Já acabei relacionamento porque o namorado não gostava das minhas amigas e nem elas dele, pra ajudar minha mãe detestava ele também. Algo de errado há quando isso acontece, não?
Não que meus relacionamentos precisam ser aprovados por todos os meus amigos e familiares. Mas que isso pra mim pesa, pesa.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Em tempo...


A Jeanne voltou à ativa!!

Família


Sempre é bom voltar pra casa. Ainda mais quando amamos quem um dia deixamos na cidade que vivemos por anos. Não nasci, mas cresci em Santa Maria..

Me deu uma vontade muito grande de visitar a casa onde fui criada e vivi 20 anos da minha vida.
Então fomos visitar a casa em Camobicity. Linda!! Está ainda mais linda do que era quando morávamos nela. Espero que aquela família seja tão feliz quanto nós fomos lá.

Reencontrei amigos, como sempre. Fomos ao tão saudoso Ponto de Cinema, no Absinto, no Mariat e em tantos barzinhos com voz e violão que tanto sinto saudade nesta capital que não oferece música ao vivo de qualidade a três/quatro reais o couver.

Passei um mês na casa da mamis. Um mês com meus irmãos, amigos, primos. Tão bom colo de mamãe e risadas com primos e irmãos que quase deu vontade de ficar pelo sul.

No Natal saímos à noite, fomos no Absinto Hall. Um criaredo que parecia que eu estava recomeçando a faculdade. Mas eis que reencontro um “amigo”. Começamos a conversar e a relembrar as festas que fazíamos juntos.

No almoço do dia 25 comentei com minha família que tinha encontrado um amigo e que a primeira vez que ficamos foi há dez anos. Minha mãe deu risada e disse: “e eu que encontrei o Barbozinha que eu namorei há trinta anos”. Minha avó pra não ficar atrás retrucou: “ano passado encontrei meu primeiro namoradinho, mas há 70 anos atrás a gente só podia encostava uma mão na outra”.

Deus queira que eu chegue aos 86 anos com o gás da minha avó (acabo de saber que será bisavó pela primeira vez).

Carinho e Gratidão


Tem coisas que a vida não apaga. Gratidão é uma delas.
Na semana que cheguei a Santa Maria me ligaram: “Jê, tu ficou sabendo do teu ex-namorado? Sofreu um acidente ontem”. Imediatamente liguei para ele. Estava melhor, mas no hospital ainda.
Já em casa, fiz uma visita a ele.

Namoramos três anos. Muitas coisas vividas juntos. Muitas risadas, muitas festas, muitos sorrisos. E quando eu mais precisei de um amigo, parceiro, namorado, ele foi tudo isso.

Não foi a toa que fiz mais de uma visita a ele, e que minha avó e minha mãe também foram visitá-lo. Não foi a toa que minha ex-sogra cobrou a visita dos meus irmãos também.

O companheirismo é uma coisa que independe do sexo e da relação (se é de amizade, amor, coleguismo). E este sentimento nenhum tempo apaga.

Lembro que foi quando descobrimos que a pessoa que mais amo na vida estava passando por um sério risco de vida, e foi ele que me disse: “calma, vai dar tudo certo e eu estou aqui pra te ajudar a segurar esta barra”. Não foi da boca pra fora. Foi um ano de quimioterapia, radioterapia, sofrimento. E ele ali. Sempre junto.

Numa das minhas crises de choro em que eu dizia: “se a mãe teve, eu também terei câncer de mama”. Ele disse: “tu não vai ter, mas se tiver, não tem problema, eu estarei aqui pra te cuidar”. Me acalmou e selou uma amizade para a vida toda.

A vida dá rumos, estradas e futuros diferentes pras pessoas, mas não é por isso que elas deixam de se gostar. Digo e repito: “terás sempre em mim uma amiga.”

O carinho que todo mundo vê em nossos olhos é de pessoas que se gostaram muito e que sentem muito carinho um pelo outro. Que bom! Te quero sempre assim: meu amigo!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Promessa é dívida

Não gosto que me prometam nada. Nunca gostei.

Este é um bom motivo que me faz não prometer o que não posso cumprir. Desde pequena fico esperando quando as pessoas prometem algo. Talvez ainda não tenha aprendido que as pessoas mentem, que passa a vontade, que falam por educacão. E acho que este tipo de coisa não quero aprender mesmo.

Não importa o tamanho nem o que é a promessa. Pra mim promessa é dívida. Sempre foi.
"te ligo", "sábado vamos na festa", "iremos no parque", "no cinema", "nos vemos esta semana", "quando tu passar no vestibular farás a carteira de motorista", "hoje compraremos aquele algodão-doce que tu gosta", "amanhã a gente faz alguma coisa junto, te ligo pra combinar".

A mãe é uma que nunca me prometeu algo que não tenha cumprido. Minto. Acabo de me lembrar que desde meus quinze anos ela promete me apresentar o que tem de melhor na minha cidade natal, São Paulo, e até hoje não fomos juntas para a capital paulista.

Canso de dormir antes de festas e não estar mais animada para ir na festa combinada com os amigos. Não importa. Vou pela parceria, pela promessa, e, claro, por saber que a animação vem rapidinho junto dos amigos.

Se eu não quero fazer algo eu digo antes: "Não vou", "não quero", "não gosto", "não posso".

Mas cada um tem a postura e os valores que escolhe.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Dirceu, o Líder!


Não é a toa que gritamos: "Dirceu, guerreiro!!!Do povo brasileiro!!!"


Entrevista com José Dirceu


A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, tem grande chance de vencer as eleições de 2010, caso seja a candidata do PT para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa é a opinião do ex-ministro José Dirceu, em entrevista publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo no último dia 30.

"Ela, na verdade, a cada mês que passa, conquista a adesão de militantes e dirigentes do PT. Cada dia é mais conhecida no País. É a candidata do presidente Lula, do PT e tem grandes chances de ir para o 2ª turno. (…) Eu não vejo por que nós não possamos vencer essas eleições de 2010", afirmou Dirceu.

Na entrevista, Dirceu falou ainda de sua militância política, suas atividades atuais e sua luta para ser anistiado na Câmara dos Deputados, entre outros assuntos. Leia a íntegra do que foi publicado.

Estado - Três anos depois de ser cassado, o senhor ainda pensa na possibilidade de anistia?

José Dirceu
- Depende. A rigor eu tenho direito à anistia, porque a Câmara dos Deputados me cassou sem provas. Fez uma cassação política, mas não no sentido que os deputados dão, de que uma cassação sempre é política. É lógico que é política, mas no meu caso, formou-se uma maioria, independentemente de eu ser culpado ou não, o que evidentemente é inaceitável. É uma ilegalidade e a Constituição me garante a verdade, a presunção da inocência, a não culpabilidade. Então, eu poderia sim pedir a anistia. Mas tomei a decisão de não fazê-lo até ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal. E tenho certeza que a absolvição vai acontecer. Não tenho medo do julgamento e espero ser julgado o mais rápido possível para que eu possa pedir a minha anistia. Se o STF der sinais ou provas que só vai julgar em 2013 ou 2014, ou seja, 8 ou 9 anos depois que fui acusado de chefe de quadrilha e corrupto, evidente que vou pedir anistia. Até porque acredito que tenho esse direito.

Estado - Qual seu projeto para retomar suas atividades políticas?

José Dirceu
- Faço atividade política, nunca deixei de fazer. Faço ou para me defender, ou para participar como militante da vida interna do PT, ou ainda como cidadão, como profissional. Participo do debate político do País com o meu blog (http://www.zedirceu.com.br/), com entrevistas, palestras. Trabalho como advogado e consultor, sempre tendo em vista um projeto de desenvolvimento para o País. Não trabalho como advogado e consultor olhando só a minha atividade profissional e a minha sobrevivência. Gostaria de voltar plenamente à atividade política, mas não tenho projetos sobre o que vou fazer. O meu projeto agora é me defender, provar minha inocência.

Estado - Durante a Satiagraha, o senhor reclamou de grampo e de invasão em seu escritório. Ainda acha que seus passos estão sendo monitorados por órgãos do governo?

José Dirceu
- Meu caso - e agora tenho a visão de tudo o que aconteceu esse ano - é escabroso, um case mais do que um caso. No começo do ano, soube pela imprensa que o sigilo do meu telefone tinha sido, por autorização judicial de um juiz (Fausto de Sanctis), interceptado a pedido do promotor público do caso Satiagraha. Era o mesmo promotor do caso MSI Corinthians, como também o delegado é o mesmo na Satiagraha e no caso MSI Corinhians (Protógenes Queiroz). Pois bem, até hoje - e basta olhar o inquérito para ver - não há nenhuma fundamentação legal para interceptação telefônica. Mas houve a interceptação, e não só a minha, como a do meu advogado, do assessor que faz a minha agenda, do advogado do escritório a mim associado em Brasília, de um outro assessor meu em Brasília e da Evanise Santos, minha companheira. Essas interceptações telefônicas estão caracterizadas como abuso de autoridade. Eu, infelizmente, não representei contra o juiz no Conselho Nacional de Justiça naqueles meses de abril e maio, quando isso veio a público. Fiquei sabendo pela imprensa, e basta ler o inquérito do MSI Corinthians, para ver que não há nenhuma razão. Na verdade, o objetivo deles já era a Operação Satiagraha. Não sei por que razão, mas toda a investigação da Satiagraha demonstra isso. Inclusive, não há uma única vez a citação do meu nome, e olha que é quase um ano e meio de investigação. No relatório do inquérito eu sou citado naquilo que é uma verdadeira fraude do delegado. Então, o HD, os e-mails e o relatório (da investigação) mostram que havia um objetivo pré-determinado, e depois se procurava encaixar os fatos ao objetivo de me prender e transformar num grande evento sensacionalista a minha prisão. Isso quando eu não tenho nada a ver com a Operação Satiagraha, com o Oportunity e nem com o Daniel Dantas. A própria investigação deles prova isso. Tenho a meu favor que todas as investigações feitas até agora a meu respeito me inocentam.

Estado - Qual a sua relação com o presidente Lula? Se falam, se visitam? Quando foi a última vez que conversaram?

José Dirceu
- Minha relação com o presidente Lula é de companheiro, de amigo e de um ex-ministro, ex-presidente e ex-deputado do PT. Não é a mesma relação que eu tinha antes com ele, uma relação de trabalho, de dia-a-dia, de construção de um projeto. Eu encontro o presidente quando ele sente que existe necessidade. Não o tenho visto com freqüência.

Estado - É verdade que políticos, governadores e integrantes do próprio PT procuram o senhor para discutir assuntos de interesse do governo?

José Dirceu
- Não diria que me procuram. Mas diria ser natural, porque nunca parei de atuar e militar politicamente. Para entender as relações que mantenho com governadores, parlamentares, senadores, deputados, prefeitos e dirigentes do PT é preciso lembrar que militei no partido de 1980 a 2008. São 28 anos, não é pouca coisa. É mais do que natural que eu continue militante. Não é porque não sou mais deputado, nem ministro e porque sou acusado injustamente de corrupto ou chefe de quadrilha, que deixo de ser militante. Não se pode apagar 40 anos de vida política. No fundo, essa questão se eu mantenho ou não mantenho relações políticas com vários políticos é um jogo dos próprios setores da direita, da mídia, para me manter interditado, para eu não fazer política.

Estado - Qual a possibilidade, na sua avaliação, de a ministra Dilma Rousseff emplacar como candidata do PT em 2010?

José Dirceu
- Grande. Ela, na verdade, a cada mês que passa, conquista a adesão de militantes e dirigentes do PT. Cada dia é mais conhecida no País. É a candidata do presidente Lula, do PT e tem grandes chances de ir para o 2ª turno. As pesquisas já estão mostrando isso. O mais provável é que nas próximas pesquisas, depois do Carnaval, a Dilma esteja já com a mesma votação do Ciro Gomes (PSB) e do Aécio Neves (PSDB). Eu acredito que uma candidata apoiada pelo PT e pelo Lula, por uma coalizão que inclua o PSB, PC do B, PTD, o PR - a legenda que indicou José Alencar para ser o vice do Lula duas vezes - e o PMDB tem grandes chances para ir ao 2º turno. Os tucanos se comportam como se o Serra (o governador de São Paulo José Serra) já estivesse eleito, mas essa história está distante da realidade. Primeiro, o Serra tem que disputar com o Aécio; segundo tem que conquistar Minas e o Rio, porque o Nordeste e o Norte ele não vai conquistar; terceiro, São Paulo e Minas, portanto o Serra, serão tão ou mais afetado do que o País pela crise em nível nacional. Minas será afetada por causa da indústria siderúrgica, de mineração e automobilística, e São Paulo pelo serviço financeiro, comércio, serviços gerais, e construção civil. Esse raciocínio de que "o Lula vai ser afetado pela crise", é um jogo da mídia, um jogo de palavras. Por que o Lula vai ser afetado e os governadores não? Não vão ser afetados porque a mídia vai protegê-los e atribuir ao Lula a responsabilidade pela crise? Com esse raciocínio é isso que estão dizendo. Porque fato por fato todos serão afetados pela crise: prefeitos, governadores e presidente da República. A arrecadação vai cair para todos, os investimentos vão ser menores para todos, o desemprego vai valer para todos - a não ser que a responsabilidade - e tudo indica, é o que quer a imprensa - seja só do Lula e não dos governadores e dos prefeitos. Eu não vejo por que nós não possamos vencer essas eleições de 2010. Na verdade, nós estamos no governo. Eles é que têm de ganhar a eleição. E o provável é que nós vençamos e não eles.

Estado - O senhor vai participar na campanha?

José Dirceu
- Não posso dizer o que farei em 2010. O que posso dizer é que vou dedicar todo o meu tempo e esforços, toda a minha inteligência, energia e experiência para ajudar o PT e o Lula a continuar governando o Brasil. Como vou fazer, com qual intensidade e em que nível, depende das circunstâncias e da conjuntura política.

Estado - O senhor acha que o Gilberto Carvalho é o melhor nome para presidir o PT?

José Dirceu
- Seria uma excelente solução. O Gilberto já militou no PT, foi secretário nacional do partido, já ocupou cargos de sua direção em vários níveis, militou no movimento popular, e nas Comunidades Eclesiais de Base. E tem essa experiência extraordinária de governo, de ter sido secretário do presidente nos últimos seis anos. Ninguém melhor, nem mais do que ele está preparado para ser presidente nacional do PT. É um nome excepcional, seria uma grande solução.

Estado - O senhor acredita que a disputa em 2010 será polarizada entre Dilma e o governador José Serra?

José Dirceu
- Não necessariamente. Hoje não se pode afirmar isso de maneira definitiva. A tendência é essa - o Serra ser candidato pelo PSDB, DEM, PP, PPS e talvez o PV; e a Dilma ser a candidata pelo menos do PT, talvez do bloco PC do B - PDT - PSB (se o Ciro não sair candidato por esse último) com apoio, talvez, do PMDB. Outra possibilidade é de o PMDB ficar neutro, ou ter uma candidatura própria. E candidaturas outras têm a do Ciro Gomes e a do Aécio Neves. A do Aécio tudo indica que não se viabilizará no PSDB. A do Ciro Gomes está com dificuldades para se viabilizar. E tem a Heloísa Helena que pode ser candidata pelo PSOL, mas é uma candidata sem idéia, e como sua candidatura mostrou na eleição de 2006, é uma candidata que tende a ir perdendo os votos, redistribuídos durante o debate e o processo eleitoral, quando o eleitor toma outras decisões.

Estado - A crítica que se faz a esses dois (Dilma e Serra) é que seriam candidatos para assumir e administrar o Estado, mas não capazes de unir a sociedade e o Estado, como o fizeram FHC e Lula. Como avalia isso?

José Dirceu
- Essa pergunta leva a uma só solução: teremos que dar um terceiro mandato ao Lula. Por ela, o Lula e o Fernando Henrique têm de ser candidatos. Não é assim. Evidentemente, o Serra tem história e lastro para ser presidente da República. Uma coisa é eu não votar nele e querer eleger a Dilma Rousseff , outra é ele e a Dilma terem ou não lastro para saírem candidatos. E isso eles têm. Os dois têm lastro para serem candidatos.

Estado - De que o senhor vive hoje? Quais são seus rendimentos?

José Dirceu
- Dos mesmos rendimentos dos quais vive a jornalista que me pergunta. Eu trabalho como ela trabalha, 8, 10, 12 horas por dia como advogado e consultor. São profissões como é a de jornalista, não há nenhuma diferença. Trabalho, às vezes, inclusive, nos fins de semana. E eu não mudei o meu padrão de vida. A minha vida continua absolutamente igual todos esses anos.

Estado - Acha que o presidente Lula mudou muito desde que chegou a Brasília e assumiu o poder?

José Dirceu
- Mudou. Muito. Primeiro, porque é presidente da República. Segundo, porque é um líder internacional, um estadista. O mundo reconhece isso. Terceiro, porque ele adquiriu experiência na Presidência da República. Ninguém passa seis anos por esse cargo em vão.

Estado - O senhor se considera um ministro sem pasta?

José Dirceu
- Não. Primeiro, eu não detenho poder nenhum. Eu tenho experiência, relações, solidariedade, companheiros, liderança ainda no PT, apoio no País. Todos sabem que se eu fosse candidato a um cargo eletivo, dificilmente eu não me elegeria. Agora, eu não tenho poder, nem sou membro do governo, nem sou mais dirigente do PT, nem mais membro do Parlamento. Eu não sou um ministro sem pasta. Sou o José Dirceu e na medida em que represento uma parte da história da esquerda brasileira, da luta contra a ditadura, da resistência armada, da luta na clandestinidade, uma parte da construção do PT, nesse sentido eu tenho uma representatividade para participar da vida política do país e ajudar o PT, o governo e a esquerda. Isso não significa que eu tenho poder.


FONTE: O Estado de São Paulo

domingo, 21 de dezembro de 2008

Pai

Pai!
Pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez...

Pai!
Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre
Esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz...

Pai!
Pode crer, eu tô bem
Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...

Pai!
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor
Prá você...

Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga prá ver...

Pai!
Me perdoa essa insegurança
Que eu não sou mais
Aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu...

Pai!
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Ah! Ah! Ah!...

Pai!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais
Muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Pai! Paz!...

Fábio Jr
Composição: Fábio Jr.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Presunto


Ontem fiz um sanduíche daqueles de lanchonete..... presunto, queijo, batatinha, alface, tomate e hambúrguer. Gostoso, gostoso.
O presunto e queijo recém comprados, dava pra sentir que eram fresquinhos. Me lembrei de quando trabalhei em uma lanchonete na Itália.

A "véia", mãe do dono da lanchonete, vigiava o nosso trabalho o tempo todo. Mandáva-nos passar na chapa o presunto "passado" para fazer os sanduíches. Me dava um nojo tão grande que sempre quando ela não estava por perto eu colocava fora os presuntos quase verdinhos. A partir de então dificilmente como algo com presunto quando estou fora de casa, mesmo no Brasil. Vai que os brasileiros (finjo acreditar que somos mais higiênicos que os italianos) também tenham esta prática de recuperar presuntos....

Minha experiência não foi muito grande em lanchonete. Realmente não sirvo pra isto.
Mas precisava ganhar uns euros para continuar meus estudos nella nostra Italia. Foi aí que descobri que o pouco de capoeira que sei eu podia ganhar uns euros. Dava aula de capoeira e de "brasiliano" (não, não era de português.)
Ebah!muito mais prazeroso...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O fim da estória*

Duas pequenas declarações de nossa autoria, publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo na edição de segunda-feira (8), provocaram surpreendente reação dos partidos oposicionistas e de seus porta-vozes na grande imprensa. Nossas frases, juntas, mal somavam cinco linhas. Para respondê-las, o Estado Maior da direita brasileira produziu um editorial com 727 palavras, um artigo com outras 823 e uma nota conjunta (assinada pelos presidentes do PSDB, do DEM e do PPS) com mais 284.

O que dissemos para causar tamanha incontinência verbal? Dissemos que o mundo vive uma crise do modelo neoliberal, do qual PSDB e o DEM foram os grandes patrocinadores no Brasil. Óbvio do óbvio. Até as paredes sabem o que desgoverno FHC fez na década passada e o quanto seus sagrados mandamentos (Estado mínimo, privatizações, corte de gastos e choque de gestão, entre outros) estão umbilicalmente ligados à bíblia do neoliberalismo. Os principais gestores daquele desgoverno fizeram a apologia do "fim da história", como se o capitalismo neoliberal pudesse representar a solução para todos os conflitos sociais, regionais e setoriais. Hoje, estamos assistindo ao "fim da estória", aquela estória que nos contaram os "neobobos" que privatizaram o Brasil.

Não há qualquer novidade nesse diagnóstico. Expressá-lo é um direito. Repeti-lo, um dever de todos os cidadãos que não querem a volta do modelo responsável por quebrar o Brasil três vezes e que, hoje, ameaça jogar o mundo inteiro na mais profunda recessão desde 1929.
Nos países centrais do capitalismo, importantes gurus do neoliberalismo já vieram a público reconhecer seus erros. No Brasil, ao contrário, os que passaram a vida papagaiando estes mesmos gurus agora correm para trás da moita e se escondem ali, rezando para que esqueçamos tudo o que escreveram, disseram e praticaram até ontem. Compreensível que reajam de maneira histriônica quando alguém traz à tona a memória de um passado tão incômodo.

Digna de nota, nesse caso, é a comovente solidariedade entre os parceiros do projeto fracassado. PSDB, DEM, PPS e mídia - aqui muito bem representada pelo tradicionalíssimo Estadão - uniram-se no ataque às nossas observações, embora com discursos diferentes.
Enquanto os partidos dizem que não podem ser responsabilizados pela crise, o Estadão repete, em editorial e na coluna de Dora Kramer, a tese cômica de que o presidente Lula deve sua alta popularidade ao fato de supostamente ter mantido os "fundamentos" da era FHC. No espaço diário que mantém no jornal, a colunista parece tão convencida de seu raciocínio que chega a nos dar uma chance de reparação: "Pode ter havido um mal entendido", diz ela. "Se houve, cabe ao PT esclarecer as coisas o quanto antes".

Então vamos aos esclarecimentos. Em primeiro lugar, não houve mal entendido. Dissemos e reafirmamos: o projeto de país inaugurado pelo PT e pelo governo Lula é diametralmente oposto daquele que foi sepultado quando FHC, o PSDB eo DEM deixaram o Palácio do Planalto, por soberana vontade popular.

O governo Lula promoveu um inédito crescimento com distribuição de renda, realizando o maior processo de inclusão sócio-econômica de que se tem notícia na história do país. Para chegar a esse resultado foram fundamentais a reorganização do Estado destruído e dilapidado na gestão anterior, a recuperação dos bancos públicos, o compromisso com os mais pobres, o combate incessante às desigualdades sociais e regionais, a democratização do crédito e dezenas de outras políticas públicas que levaram ao surgimento de um vigoroso mercado interno de consumo e que em nada se assemelham à pregação neoliberal.

Com Lula, o Brasil também abandonou a habitual submissão aos interesses norte-americanos, diversificou suas exportações, privilegiou a integração regional, articulou-se com demais nações emergentes e passou a atuar como protagonista em todos os fóruns internacionais sempre, diga-se, contra a vontade da oposição e da mídia em geral. Por eles, teríamos avalizado a ALCA (Área de Livre-Comércio das Américas), que sacramentava o Brasil como quintal dos EUA e cujo acordo FHC deixou pronto para ser assinado em 2005. Com a economia norte-americana em frangalhos, não é difícil imaginar o que seria do país hoje se o governo Lula não tivesse brecado toda a operação.

Esses são os motivos pelos quais o Brasil é considerado, pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o país mais bem preparado para o enfrentamento da crise internacional. E esses são os motivos da alta popularidade do presidente Lula.

Os que se envergonham do que fizeram não se iludam. Nós, do PT, fazemos questão de promover esse debate. E não para "patrocinar uma volta às origens". As mudanças que promovemos no Brasil em apenas seis anos são a maior prova de que nunca nos afastamos de nossas origens e de nossos compromissos.


*Ricardo Berzoini é presidente nacional do PT
**Paulo Ferreira é secretário nacional de Finanças e Planejamento do PT*

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A vida é tão frágil. A vida é tão rara.


A vida é realmente frágil. Em uma semana eu e mais duas pessoas queridas sofreram risco de vida. Bati o carro, que deu perda total, meu tio teve avc e meu ex-namorado, e amigo, teve um pré-infarto. Fiquei em choque, em crise, em reflexão. A Jeanne ainda não voltou à ativa. Ainda estou triste, com medo, preocupada, meio deprê.

Daqui duas semanas volto ao meu Rio Grande do Sul, espero encontrar meu tio bem. Espero que a Jeanne volte. Aquela alegre, alto-astral, otimista, festeira, de bem com a vida.

Mas nada acontece por acaso também. Há de haver algum motivo pra cada um destes acontecimentos.

Que o final de ano leve tudo o que de ruim aconteceu e não deixe sequelas.....

E que o ano novo renove ainda mais as nossas esperanças.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Aniversário


Aniversário, natal e primeiro de ano são datas especiais e a gente quer sempre passar ao lado de pessoas que a gente ama.

Foi assim meu aniversário deste ano. Meus amigos fizeram uma festa surpresa na sexta-feira. Gostoso demais. Vários chopps, várias risadas. Depois saimos do barzinho e fomos em um outro aniversário. Dançamos até os pés reclamarem.

Na festa o Roberto, amigo baiano, diz: "mas o teu aniversário não é hoje. É amanhã, então "o amanhã" não pode passar em branco. Vamos fazer uma moqueca em comemoração ao teu aniversário". Prontamente começamos a pensar no dia que quase se iniciava.

Casa lotada, amigos queridos. Moqueca maravilhosa, cerveja gelada, música baiana, conversas, risadas, beijos e abraços.

A Baianidade Candanga representada, 13 estados, uns dez baianos, mais de 50 pessoas. Lá pelas tantas o Roberto, presidente da baianidade candanga, começa o discurso da noite. E me empossam Diretora da Embaixada Farroupilha da Baianidade Candanga. Quanta honra.

Domingo fomos no show do Paralamas do Sucesso. Só Brasília para proporcionar estas coisas. Show lotado e gratuito. Depois do show, para arrematar, fomos no sambão da AABB. Samba e samba e um aniversário muito comemorado, animado e muito gostoso.

Obrigada amigos!Obrigada!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Até parece que é favor

Eu fico impressionada com a indiferença do atendimento nos serviços de Brasília. Nos tratam como se fizessem algum favor para nós "deixando" a gente sentar no barzinho ou se hospedar no melhor hotel da cidade, como se não pagássemos o preço.

Nos tratam como se "tanto faz, tanto fez" se estamos alí ou não, pois se não estivermos haverá outro cliente para usar os serviços. Assim dá até vontade de desejar que feche o tal buteco.

Hoje desabafei. Fazia muito tempo (muito mesmo) que não brigava com vontade com alguém. E isto nos faz bem também. Quem disse que só alegria traz felicidade?

Sou "briguenta" por natureza. E gosto muito disto em mim. Sinto falta quando fico muito tempo sem reclamar os meus direitos ou sem ter que demarcar posição sobre algum assunto.

Semana passada cortaram a luz da minha casa. A minha indignação foi tamanha, pois (muito mais graças ao meu trabalho do que à Deus) pago todas as minhas contas em dia. TODAS.

Além disso, paguei a dita conta atrasada (de 2007 e que nem sei de quem era) e solicitei a CEB - nossa CEEE gaúcha - para religar a luz.
Cheguei tarde em casa, como rotineiramente chego. E nem ventilador pude ligar. Acordei cedo, cheguei tarde.... Resumindo findaram-se três dias e os meus "congelados" boiando em água.

Depois descobri que os funcionários da CEB tinham religado a luz, mas o que estava com problema desta vez era o disjuntor. Não me interessa, dizia eu para a dona da Imobiliária. Não é problema meu. O que sei é que perdi tudo o que tinha na geladeira. O pior foi limpar tudo e suportar o cheiro de podre invadindo o ambiente.

No mínimo quero ressarcimento dos congelados, ora bolas. Quinze minutos desabafando - e ouvindo desaforo de gente que presta serviços - pra depois me ressarcirem o mínimo que gastei.

Que bom. Pelo menos fiquei mais leve, eram tantas as críticas que queria fazer à imobiliária.