domingo, 21 de dezembro de 2008

Pai

Pai!
Pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez...

Pai!
Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre
Esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz...

Pai!
Pode crer, eu tô bem
Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...

Pai!
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor
Prá você...

Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga prá ver...

Pai!
Me perdoa essa insegurança
Que eu não sou mais
Aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu...

Pai!
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Ah! Ah! Ah!...

Pai!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais
Muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Pai! Paz!...

Fábio Jr
Composição: Fábio Jr.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Presunto


Ontem fiz um sanduíche daqueles de lanchonete..... presunto, queijo, batatinha, alface, tomate e hambúrguer. Gostoso, gostoso.
O presunto e queijo recém comprados, dava pra sentir que eram fresquinhos. Me lembrei de quando trabalhei em uma lanchonete na Itália.

A "véia", mãe do dono da lanchonete, vigiava o nosso trabalho o tempo todo. Mandáva-nos passar na chapa o presunto "passado" para fazer os sanduíches. Me dava um nojo tão grande que sempre quando ela não estava por perto eu colocava fora os presuntos quase verdinhos. A partir de então dificilmente como algo com presunto quando estou fora de casa, mesmo no Brasil. Vai que os brasileiros (finjo acreditar que somos mais higiênicos que os italianos) também tenham esta prática de recuperar presuntos....

Minha experiência não foi muito grande em lanchonete. Realmente não sirvo pra isto.
Mas precisava ganhar uns euros para continuar meus estudos nella nostra Italia. Foi aí que descobri que o pouco de capoeira que sei eu podia ganhar uns euros. Dava aula de capoeira e de "brasiliano" (não, não era de português.)
Ebah!muito mais prazeroso...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O fim da estória*

Duas pequenas declarações de nossa autoria, publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo na edição de segunda-feira (8), provocaram surpreendente reação dos partidos oposicionistas e de seus porta-vozes na grande imprensa. Nossas frases, juntas, mal somavam cinco linhas. Para respondê-las, o Estado Maior da direita brasileira produziu um editorial com 727 palavras, um artigo com outras 823 e uma nota conjunta (assinada pelos presidentes do PSDB, do DEM e do PPS) com mais 284.

O que dissemos para causar tamanha incontinência verbal? Dissemos que o mundo vive uma crise do modelo neoliberal, do qual PSDB e o DEM foram os grandes patrocinadores no Brasil. Óbvio do óbvio. Até as paredes sabem o que desgoverno FHC fez na década passada e o quanto seus sagrados mandamentos (Estado mínimo, privatizações, corte de gastos e choque de gestão, entre outros) estão umbilicalmente ligados à bíblia do neoliberalismo. Os principais gestores daquele desgoverno fizeram a apologia do "fim da história", como se o capitalismo neoliberal pudesse representar a solução para todos os conflitos sociais, regionais e setoriais. Hoje, estamos assistindo ao "fim da estória", aquela estória que nos contaram os "neobobos" que privatizaram o Brasil.

Não há qualquer novidade nesse diagnóstico. Expressá-lo é um direito. Repeti-lo, um dever de todos os cidadãos que não querem a volta do modelo responsável por quebrar o Brasil três vezes e que, hoje, ameaça jogar o mundo inteiro na mais profunda recessão desde 1929.
Nos países centrais do capitalismo, importantes gurus do neoliberalismo já vieram a público reconhecer seus erros. No Brasil, ao contrário, os que passaram a vida papagaiando estes mesmos gurus agora correm para trás da moita e se escondem ali, rezando para que esqueçamos tudo o que escreveram, disseram e praticaram até ontem. Compreensível que reajam de maneira histriônica quando alguém traz à tona a memória de um passado tão incômodo.

Digna de nota, nesse caso, é a comovente solidariedade entre os parceiros do projeto fracassado. PSDB, DEM, PPS e mídia - aqui muito bem representada pelo tradicionalíssimo Estadão - uniram-se no ataque às nossas observações, embora com discursos diferentes.
Enquanto os partidos dizem que não podem ser responsabilizados pela crise, o Estadão repete, em editorial e na coluna de Dora Kramer, a tese cômica de que o presidente Lula deve sua alta popularidade ao fato de supostamente ter mantido os "fundamentos" da era FHC. No espaço diário que mantém no jornal, a colunista parece tão convencida de seu raciocínio que chega a nos dar uma chance de reparação: "Pode ter havido um mal entendido", diz ela. "Se houve, cabe ao PT esclarecer as coisas o quanto antes".

Então vamos aos esclarecimentos. Em primeiro lugar, não houve mal entendido. Dissemos e reafirmamos: o projeto de país inaugurado pelo PT e pelo governo Lula é diametralmente oposto daquele que foi sepultado quando FHC, o PSDB eo DEM deixaram o Palácio do Planalto, por soberana vontade popular.

O governo Lula promoveu um inédito crescimento com distribuição de renda, realizando o maior processo de inclusão sócio-econômica de que se tem notícia na história do país. Para chegar a esse resultado foram fundamentais a reorganização do Estado destruído e dilapidado na gestão anterior, a recuperação dos bancos públicos, o compromisso com os mais pobres, o combate incessante às desigualdades sociais e regionais, a democratização do crédito e dezenas de outras políticas públicas que levaram ao surgimento de um vigoroso mercado interno de consumo e que em nada se assemelham à pregação neoliberal.

Com Lula, o Brasil também abandonou a habitual submissão aos interesses norte-americanos, diversificou suas exportações, privilegiou a integração regional, articulou-se com demais nações emergentes e passou a atuar como protagonista em todos os fóruns internacionais sempre, diga-se, contra a vontade da oposição e da mídia em geral. Por eles, teríamos avalizado a ALCA (Área de Livre-Comércio das Américas), que sacramentava o Brasil como quintal dos EUA e cujo acordo FHC deixou pronto para ser assinado em 2005. Com a economia norte-americana em frangalhos, não é difícil imaginar o que seria do país hoje se o governo Lula não tivesse brecado toda a operação.

Esses são os motivos pelos quais o Brasil é considerado, pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o país mais bem preparado para o enfrentamento da crise internacional. E esses são os motivos da alta popularidade do presidente Lula.

Os que se envergonham do que fizeram não se iludam. Nós, do PT, fazemos questão de promover esse debate. E não para "patrocinar uma volta às origens". As mudanças que promovemos no Brasil em apenas seis anos são a maior prova de que nunca nos afastamos de nossas origens e de nossos compromissos.


*Ricardo Berzoini é presidente nacional do PT
**Paulo Ferreira é secretário nacional de Finanças e Planejamento do PT*

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A vida é tão frágil. A vida é tão rara.


A vida é realmente frágil. Em uma semana eu e mais duas pessoas queridas sofreram risco de vida. Bati o carro, que deu perda total, meu tio teve avc e meu ex-namorado, e amigo, teve um pré-infarto. Fiquei em choque, em crise, em reflexão. A Jeanne ainda não voltou à ativa. Ainda estou triste, com medo, preocupada, meio deprê.

Daqui duas semanas volto ao meu Rio Grande do Sul, espero encontrar meu tio bem. Espero que a Jeanne volte. Aquela alegre, alto-astral, otimista, festeira, de bem com a vida.

Mas nada acontece por acaso também. Há de haver algum motivo pra cada um destes acontecimentos.

Que o final de ano leve tudo o que de ruim aconteceu e não deixe sequelas.....

E que o ano novo renove ainda mais as nossas esperanças.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Aniversário


Aniversário, natal e primeiro de ano são datas especiais e a gente quer sempre passar ao lado de pessoas que a gente ama.

Foi assim meu aniversário deste ano. Meus amigos fizeram uma festa surpresa na sexta-feira. Gostoso demais. Vários chopps, várias risadas. Depois saimos do barzinho e fomos em um outro aniversário. Dançamos até os pés reclamarem.

Na festa o Roberto, amigo baiano, diz: "mas o teu aniversário não é hoje. É amanhã, então "o amanhã" não pode passar em branco. Vamos fazer uma moqueca em comemoração ao teu aniversário". Prontamente começamos a pensar no dia que quase se iniciava.

Casa lotada, amigos queridos. Moqueca maravilhosa, cerveja gelada, música baiana, conversas, risadas, beijos e abraços.

A Baianidade Candanga representada, 13 estados, uns dez baianos, mais de 50 pessoas. Lá pelas tantas o Roberto, presidente da baianidade candanga, começa o discurso da noite. E me empossam Diretora da Embaixada Farroupilha da Baianidade Candanga. Quanta honra.

Domingo fomos no show do Paralamas do Sucesso. Só Brasília para proporcionar estas coisas. Show lotado e gratuito. Depois do show, para arrematar, fomos no sambão da AABB. Samba e samba e um aniversário muito comemorado, animado e muito gostoso.

Obrigada amigos!Obrigada!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Até parece que é favor

Eu fico impressionada com a indiferença do atendimento nos serviços de Brasília. Nos tratam como se fizessem algum favor para nós "deixando" a gente sentar no barzinho ou se hospedar no melhor hotel da cidade, como se não pagássemos o preço.

Nos tratam como se "tanto faz, tanto fez" se estamos alí ou não, pois se não estivermos haverá outro cliente para usar os serviços. Assim dá até vontade de desejar que feche o tal buteco.

Hoje desabafei. Fazia muito tempo (muito mesmo) que não brigava com vontade com alguém. E isto nos faz bem também. Quem disse que só alegria traz felicidade?

Sou "briguenta" por natureza. E gosto muito disto em mim. Sinto falta quando fico muito tempo sem reclamar os meus direitos ou sem ter que demarcar posição sobre algum assunto.

Semana passada cortaram a luz da minha casa. A minha indignação foi tamanha, pois (muito mais graças ao meu trabalho do que à Deus) pago todas as minhas contas em dia. TODAS.

Além disso, paguei a dita conta atrasada (de 2007 e que nem sei de quem era) e solicitei a CEB - nossa CEEE gaúcha - para religar a luz.
Cheguei tarde em casa, como rotineiramente chego. E nem ventilador pude ligar. Acordei cedo, cheguei tarde.... Resumindo findaram-se três dias e os meus "congelados" boiando em água.

Depois descobri que os funcionários da CEB tinham religado a luz, mas o que estava com problema desta vez era o disjuntor. Não me interessa, dizia eu para a dona da Imobiliária. Não é problema meu. O que sei é que perdi tudo o que tinha na geladeira. O pior foi limpar tudo e suportar o cheiro de podre invadindo o ambiente.

No mínimo quero ressarcimento dos congelados, ora bolas. Quinze minutos desabafando - e ouvindo desaforo de gente que presta serviços - pra depois me ressarcirem o mínimo que gastei.

Que bom. Pelo menos fiquei mais leve, eram tantas as críticas que queria fazer à imobiliária.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Saber Voar


Falar que bom quando é pra
Sonhar faz a vida mais feliz
as estrelas que não posso tocar
Estão tão perto estão no teu olhar

Cantar que bom quando é pra ti
Ver teu sorriso também me faz sorrir
Ó estrela não deixe de brilhar
Mesmo que tão longe sei que ela está lá

E mesmo que eu não te veja
Posso sentir quando pensa em mim
É como não ver o sol
Mas ter certeza que está lá
Transformando a noite em dia
Tristezas em alegria
E aquilo que era vazio
Foi embora pra não voltar mais

Queria saber voar
Pra lá do alto poder ver você
Te ver sorrir te ver sonhar
Coisas lindas quero te dizer
E se um anjo encontrar
Eu vou pedir pra ele te proteger
Ó estrela que me faz enxergar
Que a vida é linda de viver

Chimarruts

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Que assim seja

Foi um domingo emocionante. Chorei, chorei muito. Fiquei pensando até que ponto acredito ou não em Deus e até que ponto sou "oportunista" em deixar as coisas nas mãos Dele.
Mas tem horas que a gente não sabe mais o que fazer, não vê mais caminhos, luz, solução. Então a gente diz: "Que seja o que Deus quiser" ou "Entreguei nas mãos de Deus".

Este domingo fui visitar meu pai no Centro de Recuperação, onde está internado desde o início do mês, e a tarde teve a despedida de um interno que finalizava o tratamento. Muitos depoimentos, muita emoção e muitos gritos de "Glória a Deus".

Às vezes me questiono se acredito realmente em Deus e se ele realmente existe. Mas o que sei é que de alguma forma a crença em algo superior faz com que os homens mudem, mudem a postura frente à vida. Ou, ao menos, parece que dá mais força pra seguir em frente. Fica mais leve o peso de tudo.

Não sei. O que sei é que entreguei nas mãos de Deus e seja o que Deus quiser. Se assim ele existir, tomara, rezo, penso, oro, que ele queira que dê tudo certo.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Cada povo tem o governo que merece


Tomara que o 53% da população santamariense não se arrependa durante estes quatro anos. Tomara mesmo. Apesar de não morar mais em Santa Maria e nem ter vontade ou perspectiva para voltar a morar na cidade, tenho familiares, amigos e muito carinho pelo coração do Rio Grande.

O que não podem negar é que o PT deixou boas heranças: R$ 138,6 milhões para as obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), o que inclui projetos de infra-estrutura, mexer no tão esquecido Arroio Cadena - que se transformou, ao longo dos anos, em um esgoto aberto entre casas e crianças-, construção de casas populares, regularização fundiária, salário dos funcionários em dia, Centro de Eventos, Complexo Poliesportivo, Pronto Atendimentos novinhos, entre outros.

Foram oito anos vitoriosos, eu tenho orgulho de ter participado da gestão da Frente Popular que encerra o seu ciclo em dezembro deste ano.

Boa sorte, a eles e a nós.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O Analfabeto Político

Posto aqui um texto muito conhecido de Bertolt Brecht, texto oportuno para contribuir nas reflexões a 5 dias das eleições municipais.
Ontem conversava com o meu irmão e dizia a ele que deveria ser considerado crime o incentivo ao voto branco. Foi tão difícil termos o direito ao voto garantido. Nós mulheres e negros foi mais suada ainda a conquista. Temos é que fazer campanha para o nosso candidato. Para o candidato que acreditamos que seja honesto, que irá realmente nos representar, que irá lutar pelos nossos direitos e anseios.
Quando dizem: "vou votar no menos pior". Aí está uma razão para incentivar novas candidaturas, novos nomes. Tem tanta gente boa na escola, na administração pública, na vizinhança, colegas de trabalho, enfim.... são estas pessoas que precisam se candidatar.
Há de depararmos com pessoas honestas e que honrem o nosso voto e a nossa representação.


"O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais."

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Com Lula, tudo bem. Com o PT, também. Não é hora de aventuras.*


A nova frase da campanha de Alckmin, em São Paulo, afirmando que' com Lula tudo bem, o problema é o PT', guarda inequívoca similitude com alguns intelectuais que asseguram que há necessidade de se reconstruir a esquerda, por conta de uma suposta cooptação de movimentos sociais e da militância por parte do governo petista. Há um tipo de análise da consolidação do sistema político-partidário brasileiro que, por operar no campo estéril da lógica binária, impossibilita a compreensão da dinâmica dos partidos, seus movimentos contraditórios, suas crises e recuperações. É um tipo de raciocínio que, esbarrando em oposições excludentes, não consegue avançar para além dos sofismas, tanto à direita quanto á esquerda.

O protagonismo do Partido dos Trabalhadores incomoda tanto o campo conservador que, há anos, sentencia o fim do seu capital político, quanto certos setores de uma esquerda que mescla, em doses desiguais, oportunismo e ingenuidade.

A nova frase da campanha de Alckmin, em São Paulo, afirmando que' com Lula tudo bem, o problema é o PT', guarda inequívoca similitude com alguns intelectuais que asseguram que há necessidade de se reconstruir a esquerda, por conta de uma suposta cooptação de movimentos sociais e da militância por parte do governo petista. Judicativos, asseveram que é necessário que alguém precise continuar dizendo que a combinação de um modelo excludente com políticas compensatórias não pode ser o projeto de uma esquerda séria. O problema aqui não padece apenas de incapacidade de análise de conjuntura, mas de uma inacreditável perda de memória do passado recente.

É bom recordar que o Partido dos Trabalhadores surgiu rompendo duas tradições: não nasceu dentro do Estado ou por iniciativa dele. Pelo contrário, sua criação se dá contra o aparato estatal e possibilita uma inédita articulação entre a política e a questão social. Foi a primeira experiência bem-sucedida de uma organização que, ao contrário de conhecidos arranjos, não nasceu de cima para baixo, mas da auto-organização da classe trabalhadora, impulsionada pela esquerda católica e por uma parcela expressiva dos que participaram da luta armada contra a ditadura militar.

Mudanças de curso, necessárias para se adequar ao capitalismo pós-industrial, não configuram perda de identidade ou efetividade política. Quem não consegue compreender a diferença entre o atual governo e o anterior no que diz respeito às prioridades na utilização do poder político e fiscal do Estado, deve atribuir a popularidade do presidente a um fenômeno que mistura a dimensão do carisma com uma perda generalizada de consciência política. E isso nada mais é que indigência analítica movida por má-fé.

Imaginar que o PSOL, nascido de uma dissidência parlamentar, pudesse se constituir em um real espaço de construção dos muitos embates que a classe trabalhadora tem pela frente, só revela o perigo que o desejo, quando confundido com a realidade, pode trazer. É a demonstração cabal de como um sonho - de gente, diga-se, muitas vezes bem intencionada – pode se transformar no seu oposto. Em um udenismo que não ousa dizer o nome. 'Uma falsificação' que se apresenta como 'trincheira',' lugar de resistência.'

E o que dizer do tucanato? Outra dissidência parlamentar que, sem base sindical ou uma história de luta de seus quadros mais orgânicos, se apresentou nos anos 1980, como a 'social-democracia brasileira'. Chegando ao poder, sucateou o patrimônio público, apostou em um ambiente institucional em que o Estado garantiria a 'expectativa racional' dos possuidores de riqueza.

Vamos, de uma vez por todas, demarcar o que é o campo democrático-popular. Dele fazem parte o PT, o PC do B, PDT e PSB. O restante, em um sistema partidário cada vez mais estabilizado, está no pólo oposto, como linha auxiliar do neoliberalismo do PSDB. Com Lula, tudo bem. Com o PT, também. Não é hora de aventuras.

* Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A gente também faz cinema


Esta semana fui duas vezes ao cinema. Quando comecei a ver "Os Desafinados", de Walter Lima Júnior, pensei: "vou escrever algo sobre as maravilhas que estamos produzindo". Apesar do filme não fazer jus a muitos elogios e muito menos o "Linha de Passe", de Walter Salles, fico feliz por estarmos muito mais preparados para disputar "Oscars" e, mais ainda, por estarmos produzindo cultura com qualidade.

Lembro que em 2003 fazíamos, nós do Movimento Estudantil da UFSM, uma manifestação no Santa Maria Shopping porque o filme "O homem que copiava", de Jorge Furtado, ficou apenas dois dias em cartaz. Conversamos com a gerente das salas de cinema e ela argumentou: "Ninguém vem assistir filme brasileiro, o povo gosta de coisas de Hollywood".

Realmente o público não tinha prestigiado o filme brasileiro. Porém, as sessões não lotavam também com o "Homem-Aranha" e nem com as outras bobagens que passava na época naquelas salas. Tanto é verdade que as salas de cinema de Santa Maria chegaram a fechar as portas por vários meses no ano passado.

Hoje o cinema brasileiro é mais produzido, o áudio e as imagens são melhores e o roteiro é mais elaborado. Também, hoje se tem mais incentivo à produção cultural do que há oito anos atrás e isso é mais que verdade.

Em 2003 também foi o ano que "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles, chegou ao quase Oscar. Cheguei a participar de um debate acalorado na Universidade de Udine (Itália) sobre filmes estrangeiros e um dos mais polêmicos era o nosso brasileirinho.

O que mais gosto é que os filmes fogem um pouco dos romances e das elites mostradas nas nossas novelas e retratam um pouco mais da realidade brasileira. Mas estas sim são famosas e admiradas em várias partes do mundo. Em Cuba já passou "A próxima vítima" , "Quatro por quatro" e outras tantas e são mais bem quistas que as mexicanas (que são muito aquém das nossas) que passam no Brasil.

Hoje a gente já consegue escutar: "vamos ao cinema, está passando um filme brasileiro legal". Antes quando a gente convidava para assistir um filme brasileiro era perigo perder a cia para o filme.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

O homem lúcido

"O homem lúcido sabe que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e emoções que nunca se entusiasma com ela, assim como não teme a morte.
O homem lúcido sabe que viver e morrer são o mesmo em matéria de valor, posto que a Vida contém tantos sofrimentos que a sua cessação não pode ser considerada um mal.

O homem lúcido sabe que é o equilibrista na corda bamba da existência. Sabe que, por opção ou acidente, é possível cair no abismo, a qualquer momento, interrompendo a sessão do circo.
Pode também o homem lúcido optar pela Vida. Aí então, ele esgotará todas as suas possibilidades.

Passeará por seu campo aberto e por suas vielas floridas. Saberá ver a beleza em tudo.
Terá amantes, amigos, ideais. Urdirá planos e os realizará.
Resistirá aos infortúnios e até às doenças. E, se atingido por algum desses emissários, saberá suportá-los com coragem e mansidão.

Morrerá o homem lúcido de causas naturais e em idade avançada, cercado por filhos e netos que seguirão sua magnífica aventura.
Pairará então, sobre sua memória uma aura de bondade.
Dir-se-á: aquele amou muito e fez bem às pessoas.

A justa lei máxima da natureza obriga que a quantidade de acontecimentos maus na vida de um homem iguale-se sempre à quantidade de acontecimentos favoráveis.

O homem lúcido que optou pela Vida, com o consentimento de Deus, tem o poder magno de alterar esta lei. Na sua vida, os acontecimentos favoráveis estarão sempre em maioria.
Esta é uma cortesia que a Natureza faz com os homens lúcidos."

Texto Caldaico do VI século a.c.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Distância

A distância é uma coisa louca. Quem disse que amor e amizade não resistem à distância?

Hoje recebi uma ligação maravilhosa. Amigo querido!Amado!
Tenho certeza que esta amizade é ad eterno!
Relembramos as coisas vividas, as risadas, os sorrisos, as bebedeiras, contamos nossas angustias atuais, as preocupações, os sonhos, os planos, os desejos. Gostoso demais.

Esta é uma das coisas que mais gosto, que mais tenho prazer: receber ligações de entes queridos.
Certo dia, talvez já tenha escrito algo sobre isso neste blog, eram 4horas da manhã e toca meu celular a cobrar. Acordo meio “grog” de sono e me assusto, era meu irmão me ligando. Problema: foi o que pensei que fosse.

Atendo e ele diz: “Mana, é só pra te dizer que te amo e que estamos aqui eu e a Dani tomando uma cerveja e lembrando de ti! Queríamos que tu estivesse com a gente!”.
A felicidade foi tamanha que devo ter dormido a noite toda com um sorriso no rosto.

Nesta mesma semana meus amigos de Santa Maria me ligaram a noite: “Jê, estamos todos aqui escutando uma MPB e tomando uma cervejinha!Está tocando a tua música e lembramos de ti! Só falta tu!”

Tem coisa melhor que isso?Não! Ou melhor, tem sim. Melhor que sentir saudades e escutar que sentem a nossa falta é matar a saudade de todos.

Saudades, saudades, saudades!Saudades dos meus amigos de longe!!!

E agora?


O telefone toca várias vezes, vejo as ligações 4 horas depois. Madrugada, como retornar alguém com a idade avançada que possui às 3horas da manhã?
Mas e se fosse algo urgente?e se tivesse morrido alguém? Ou alguém-querido estivesse precisando de ajuda?

Enfim, retorno no dia seguinte. Preocupação confirmada. É de ajuda que precisa.

Ligo, converso, pede ajuda, choro e choro, palavras de consolo, palavras de carinho, pedidos de desculpas, soluços, silêncio, então: “vêm pra cá?”.

Desligo o telefone, caio no choro. E se? E se? Mas e se?E agora?
Será que não vou me arrepender depois?Será que vou conseguir? Será que dou conta?
Várias perguntas sem respostas!

Olhos molhados, mente a mil, mãos que tremem, coração que aclama, que aperta, que torce, que reza, que espera, que acredita, que tem fé.

Noite mal dormida, sono que não vem. Pensamento nas tantas possibilidades, soluções e principalmente no problema.

Passado uma semana, acordo confiante. Vai dar certo. Vai ser difícil? Talvez!Mas vai dar certo!

Se não fosse para dar certo com certeza não teria tocado meu celular aquela noite.

Fale Conosco

Responder um “Fale Conosco” é uma experiência diferente. Percebemos que as dúvidas, anseios e críticas são quase sempre as mesmas. Porém, também percebemos as diferenças regionais e culturais que o nosso país possui.
Estas dúvidas muitas vezes são inocentes, para não dizer, óbvias, outras intrigantes, outras renovadoras, outras inovadoras e ainda tem aquelas engraçadas e até umas revoltantes se apresentam.

Uma vez lendo aqueles e-mail’s/piadas enviadas por amigos, dei muita risada quando o cara contava sobre as visitas e assessorias técnicas que prestava na área de informática.
Esta semana mudei de sala e tiveram que configurar meu computador novamente na impressora. Já tinham configurado e eu na correria do cotidiano do trabalho não conseguia imprimir. Chamei o técnico de maneira “urgente”, como quase todos os e-mails’s que leio e respondo do Fale Conosco.
Chega o técnico em minha sala, liga a impressora e me solicita para “tentar” imprimir novamente. Me senti dentro da piada contada pelo técnico do e-mail recebido por amigos.
Nestas horas a gente percebe o quão boba, desligada ou, porque não dizer, ignorante que podemos ser. Ignorante no sentido de ignorar, de não ter conhecimento da questão, não no sentido de ser estúpido.

Hoje li um e-mail de um senhor do norte e ele pedia urgentemente por informações que já estão disponíveis no site do GTE (Grupo de Trabalho Eleitoral do Partido dos Trabalhadores) há meses. Ele escrevia vosseis para vocês, veriadoura para vereadora, mandaci para mandassem, acina para assina. Confesso que dei risada de seus erros e depois me envergonhei por ter rido da simplicidade do Senhor de 73 anos.

E neste complexo todo de tecnologia e internet a gente vai tentando mudar o mundo.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Quero o cheiro de fruta madura!

Cheguei em casa e percebi que as frutas compradas pela minha mãe, há um mês, estavam ainda em quase perfeito estado. Triste. As frutas não têm mais o gosto de antes. Nem o prazer da lembrança pelo gosto e pelo cheiro não podemos mais sentir.

Na minha infância subia nas árvores da casa do meu avô para pegar as goiabas mais maduras que conseguia alcançar. Apanhava apenas as que ia comer ou que daria aos meus irmãos e primos, pois logo as goiabas (vermelhas ou brancas) apodreciam e enfestavam todo o ambiente em que as depositava.

Hoje as frutas murcham até o limite das sementes e não cheiram - como dizia meu irmão pequeninho: "não tem mais o cheiro do fedor".

Era goiaba, laranja, pêra e maça. Todas murchas e sem cheiro na cesta.

Quero o cheiro de frutas maduras novamente!

Ponto para a pontuação!

Show da língua portuguesa!

Um homem rico estava muito mal, agonizando. Pediu papel e caneta.Escreveu assim:"Deixo meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta Do padeiro nada dou aos pobres."Morreu antes de fazer a pontuação. A quem deixava a fortuna? Eram quatro concorrentes.

1) O sobrinho fez a seguinte pontuação:Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga aConta do padeiro. Nada dou aos pobres.

2) A irmã chegou em seguida. Pontuou assim o escrito:Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

3) O padeiro pediu cópia do original. Puxou a brasa pra sardinha dele:Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga aConta do padeiro. Nada dou aos pobres.

4) Aí, chegaram os descamisados da cidade. Um deles, sabido, fez estainterpretação:Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga aConta do padeiro? Nada! Dou aos pobres.

Moral da história:'A vida pode ser interpretada e vivida de diversas maneiras. Nós é que fazemos sua pontuação.E isso faz toda a diferença... '

terça-feira, 3 de junho de 2008

Saudades a gente só tem de quem a gente gosta!


Quando era criança, um dos meus maiores prazeres era sentar no colo do meu avô ou padrinho e ficar passando a mão na barba deles. Até hoje meus olhos brilham quando passo a mão na barba rala do João Marcos, meu maninho amado.

Saudades......

Ás vezes acho que a minha maior inspiração - se é que ela existe - para escrever textos neste blog é a saudade. Saudade da minha terra, da minha mãe, dos meus manos, dos meus amigos gaúchos.

Mexendo nas saudades neste domingo, olhei muitas fotos. Peguei a caixa das fotos antigas e chorei. Chorei de saudades e chorei de felicidade por ter vivido tanta coisa boa.

Não resisti e fiquei horas montando uma do lado da outra até ficar uma só história, uma só memória. Eu bebê no colo do vô, começando a caminhar, brincando com meus irmãos, cuidando da minha priminha Lari, fazendo quinze anos, no trote da faculdade, no intercâmbio da Itália, no Projeto Rondon de Pernambuco, no bloco da Ivete no Pré-carnaval de Aracaju, nos churrascos e piscinas com meus amigos da faculdade, fotos de toga na formatura, da minha vó com 80 anos, da minha mãe comemorando os seus 50, no casamento do meu primo Igor, do James cabeludo, do James carequinha, do João Marcos na formatura.....

Fiz uma montagem e coloquei em uma moldura linda, tão linda quanto a história que foi montada em fotos. Esta vai embelezar a parede do apartamento e preencher os espaços vazios que a saudade vai deixando. Mas como diz a música do Peninha: "Ter saudade até que é bom. É melhor que caminhar vazio"

E como eu sempre digo: "Saudade a gente só tem de quem a gente gosta!"

Saudades, saudades!

Cuidado com seus desejos: eles podem se realizar!

Quarta-especial!
Muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo.

A gente comenta que quando acontece alguma coisa ruim vem várias juntas. Quem sabe....

Quem sabe também quando acontece algo de bom, venha uma cadeia de momentos bons juntos. Talvez seja porque estejamos mais receptivos a coisas boas ou ruins.
Quarta-feira retrasada, por exemplo, foi repleta de bons motivos para serem comemorados.

Estávamos fechando os últimos detalhes para o I Congresso Nacional da Juventude do PT. Correria Geral!!!
Não bastasse isso peguei meu carro novo, comprado na segunda-feira anterior, e fui assinar o contrato com a imobiliária, iria me mudar no outro dia! Na correria da organização de um evento nacional, fazer uma mudança seria o pesadelo para qualquer um.

Mas para quem estava com a mãe há uma semana juntinho e que poderia ter o colo tão gostoso do final do dia, isso era moleza!

A semana acabou com carro novo, apartamento novo, emprego novo, saudades da mamis minimizadas e com a nossa vitória no segundo turno com 52% dos votos.

A Secretaria Nacional da Juventude do PT é nossa!!!Nossa da CNB! Vitória suada!Suada de tanto trabalho, de tanta garra, de tanta força!

A festa da vitória foi linda!

Gritávamos:
"Meu presidente é Berzoini, minha secretária é Severine!"
"Mulher de garra, não tem igual!Severine Secretaria Nacional"
"O Sonho já chegou!Prepare uma avenida que a gente vai passar!"
"Pode tremer!Pode Tremer!Unificou a Juventude do PT"

e tantos outros gritos. A garganta que o diga!Fiquei três dias sem voz.

Bom, muito bom!dá até medo de desejar mais coisas!

P.S: Aos meus amigos que estavam reclamando que eu não estava escrevendo mais no blog, está aí os bons motivos da minha ausência virtual.